O alpinista paranaense Waldemar Niclevicz, 59, primeiro brasílico a chegar ao cume do monte Everest, em 1995, deve voltar ao topo da serra em breve, 30 anos depois aquela primeira expedição. O objetivo agora, ele diz, é invocar atenção para a urgência da restauração ecológica.
A teoria é levar ao topo da serra uma bandeira com o figura de uma araucária, árvore símbolo do Paraná, e também “símbolo de resistência e da natureza ameaçada”, acrescenta ele.
Há menos de cinco anos, durante a pandemia da Covid-19, Niclevicz comprou uma dimensão de 116 hectares na região rústico de Campo Largo, cidade da região metropolitana de Curitiba, e, desde logo, vem trabalhando para restaurar o sítio, plantando mudas de araucária.
“Era uma dimensão degradada, mas que estava abandonada desde a dez de 1980, por isso já tinha alguma regeneração procedente. Mas originalmente era uma floresta com araucária, associada ao bioma mata atlântica. E é uma espécie que foi praticamente dizimada no Brasil nos últimos cem anos. Hoje não tem quase zero”, explica ele.
O sítio fica colado à APA (Superfície de Proteção Ambiental) da Escarpa Devoniava, maior unidade de conservação do Paraná, e uma secção da propriedade comprada por ele foi transformada em RPPN (Suplente Pessoal de Patrimônio Originário), através de uma portaria publicada em novembro de 2024 pelo IAT (Instituto Chuva e Terreno), órgão do Governo do Paraná.
O Paraná tem hoje 334 reservas particulares do tipo, somando 55.541,92 hectares de vegetação nativa preservada.
A RPPN de Niclevicz, batizada de Suplente Originário do Alpinista, tem 34 hectares e ganhou um ato de inauguração nesta quarta-feira (12). Entre os convidados estava a fisioterapeuta e empresária Flávia Arantes, filha de Pelé.
Em 1995, a bandeira do Brasil exibida por Niclevicz quando ele chegou ao topo do Everest havia sido dada pelo rei do futebol, morto em 2022, aos 82 anos. Nesta quarta, a bandeira com a araucária, que ainda será levada ao Nepal, foi entregue ao alpinista pelas mãos de Flávia.
Na inauguração, 30 mudas foram plantadas, para marcar os 30 anos da primeira expedição brasileira ao Everest. No totalidade, já são mais de 600 araucárias plantadas no espaço, mas Niclevicz procura parceiros e doadores para chegar a 2.000.
Não são mudas comuns. O alpinista explica que tem utilizado mudas enxertadas, mais caras —em torno de R$ 150 cada uma—, para estugar o processo de desenvolvimento da árvore. “São clones de uma matriz selecionada, ou seja, mudas especiais, sem doença, produtivas, resistentes. Mas o desvelo com o plantio e com o manejo também é importante para que ela cresça com saúde”, explica ele.
A primeira muda enxertada plantada no sítio, há três anos e um mês, já tem a primeira pinha. “Ela é precoce. Enquanto uma araucária lentidão 15 anos para soltar a primeira flor, as enxertadas já estão soltando flor a partir do terceiro ano”, conta Niclevicz.
“A natureza não pode esperar. Não podemos nos dar ao luxo de deixar a restauração para amanhã. Temos que fazer isso hoje. A nossa própria sobrevivência está em risco com o desequilíbrio ambiental mundial”, afirma ele.
O alpinista também tenta atrair parceiros que possam contribuir com a manutenção do espaço. A teoria é receber estudantes semanalmente, principalmente do ensino médio, para aulas de instrução ambiental. Desde a compra da dimensão, as visitas já acontecem de forma esporádica.
“Nosso propósito cá não é pegar um pedaço de terreno, plantar araucária e cuidar disso uma vez que se fosse nosso jardim. Nosso propósito é trabalhar a instrução ambiental”, destaca.
A novidade expedição ao Everest também depende de patrocínio, mas Niclevicz diz que a maior secção do valor da viagem já foi obtido. Ele subirá a serra mais subida do mundo com o alpinista Pedro Hauck. O dispêndio totalidade da empreitada está estimado em US$ 160 milénio (muro de R$ 919 milénio) para a dupla.
Os doadores até agora são uma empresa de suplementos, um instituto germânico e a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná). Um quarto doador deve ser confirmado em breve.
A partida para o Nepal está prevista para 26 de março, e a expedição deve porfiar até 30 de maio. Hauck estará no cume do Everest pela primeira vez. Já Niclevicz foi cinco vezes ao monte —duas delas até o cume (em 1995 e em 2005). Há 30 anos, seu companheiro de escalada foi Mozart Catão, morto no Aconcágua em 1998.
Com 59 anos completados nesta quarta, Niclevicz afirma que nunca parou de escalar e que está pronto para a novidade empreitada no Everest.
“Estou escalando há 37 anos. Acabei de finalizar um projeto escalando todas as maiores montanhas dos alpes europeus, 82 montanhas com mais de 4 milénio metros. Estou super muito fisicamente”, conta ele.
Para ele, o repto será enfrentar a “fila de gente” no Everest. “Hoje é uma serra que não atrai tanto o alpinista profissional porque ali está massificado pelo turismo. Leste vai ser um repto para mim. Conheci o Everest na dez de 1990. Em 1991, só 342 pessoas no mundo tinham chegado lá em cima. Hoje já temos mais de 10 milénio pessoas. Vai ter muito alpinista, muito turista”, prevê.
Niclevicz também acredita que encontrará outra serra, “mais perigosa” do que há 30 anos. “Perdeu boa secção dos seus glaciares. Ou seja, o Everest também sofreu os efeitos da crise climática global”, lamenta.