A comoção que dominou a Argentina há quatro anos com a morte do astro Diego Maradona retorna, em graduação reduzida, nesta terça-feira (11). É quando a Justiça lugar dá início ao julgamento de sete membros da equipe médica do ex-jogador acusados de sua morte.
Médicos, enfermeiros e psicólogos foram indiciados pela Justiça da província de Buenos Aires pelo transgressão de homicídio simples com dolo eventual, figura jurídica que aponta para casos em que os réus sabiam da possibilidade da morte da vítima devido a suas ações, ainda que não quisessem provocá-la. As penas variam de 8 a 25 anos de prisão.
Maradona morreu aos 60 anos depois uma paragem cardiorrespiratória, em sua vivenda, em Tigre, município vizinho de San Isidro. Uma investigação apontou que a morte poderia ter sido evitada se sua equipe médica mais próxima tivesse tomado outras ações.
O processo judicial afirma que as sete pessoas são responsáveis pela morte do planeta devido a “uma assistência deficitária, ineficiente e indiferente e em um lugar inadequado” —a vivenda onde recebia cuidados domésticos. Diz ainda que apartou a família do ex-jogador, omitiu informações importantes e deixou seu destino “relegado à sorte”.
São acusados: o neurocirurgião e médico pessoal de Maradona Leopoldo Luque; a psiquiatra Agustina Cosachov; o enfermeiro Ricardo Almirón; a médica Nancy Forlino, do projecto de saúde Swiss Medical; o director de enfermeiros Mariano Perroni; o psicólogo Carlos Díaz; e o médico médico Pedro Di Spagna. Há ainda uma oitava acusada que será julgada separadamente por um júri popular a pedido de sua resguardo.
Os acusados negam que foram negligentes. Luque, o neurocirurgião, já afirmou em declarações públicas que Maradona era um paciente difícil (“Quando estava chateado ou se sentia mal, afastada todos”) e que ele resistia a determinadas recomendações médicas. Disse ainda que a morte foi inesperada, súbita e sem sofrimento e que a internação domiciliar foi insistência do próprio ex-jogador.
O ex-camisa 10 havia sido submetido a uma cirurgia para eliminar um hematoma subdural, acúmulo de sangue que se forma entre o cérebro e o crânio, no início daquele mês.
A despeito de recomendações, foi levado pela equipe médica privado, com assentimento dos parentes, para se restaurar em vivenda. Seu quadro de saúde era deteriorado pelo uso de drogas e consumo de álcool ao longo da vida. Na lanço final, ele também tratava sofreguidão e depressão.
O processo judicial enumera o quadro médico de Maradona: doença renal crônica, cirrose hepática, insuficiência cardíaca, deterioração neurológica crônica, sujeição de álcool e drogas, prováveis doenças psiquiátricas, somadas ao quadro de dieta alcoólica.
O processo afirma que Maradona não deveria ter sido autorizado pelo time a deixar a clínica médica onde recebia cuidados pós-cirurgia em 11 de novembro daquele ano, nove dias antes de morrer em vivenda.
Diz que os profissionais se “omitiram de fornecer a Maradona uma assistência adequada” e “impediram que ele recebesse a devida atenção médica que poderia ter evitado sua morte, particularmente aquela do campo cardiológico”.
O documento afirma também que não foram mantidos exames e controles cardiológicos necessários depois a saída do hospital, nem o monitoramento do jogador por especialistas cardiológicos, hepáticos e renais, o que seria exigido por seu quadro médico.
O poder público diz que a equipe “se aproveitou de uma esfera de poder sobre Maradona” para isolá-lo de sua família, manipulando-a e informando que tudo ocorria de contrato com a vontade do jogador, omitindo informações importantes sobre qual era o seu estado de saúde.
São acusações que fazem agora os sete profissionais sentarem no banco dos réus em um julgamento com expectativa de se estender até pelo menos meados de julho deste ano, com três audiências sendo realizadas a cada semana.
Mais de 190 testemunhas foram convocadas a depor, segundo apurou o meio lugar TN (Todo Notícias). Há uma grande quantidade de provas: resultados de exames, perícias em celulares e gravações de áudio.
A Justiça aponta que os sete infringiram os deveres que tinham em seus respectivos cargos, assim “colaborando para um conjunto de fatores e circunstâncias grosseiras que incrementaram os riscos fora da margem permitida e ocasionaram o infalível resultado para o paciente”.
O velório do ex-jogador, realizado um dia depois sua morte na Mansão Rosada, a sede do Poder Executivo prateado, em Buenos Aires, reuniu centenas de milhares de pessoas. Ele foi enterrado em um cemitério na região de Bella Vista, a 35 km da capital.