Seis homens reunidos em torno de uma mesa, sorridentes, enquanto nenhuma mulher aparece na cena: essa retrato, amplamente compartilhada nas redes sociais, reacendeu o debate sobre a desigualdade de gênero na política alemã. No núcleo da polêmica está Friedrich Merz, provável porvir primeiro-ministro da Alemanha, e sua equipe de transição.
A foto foi publicada por Markus Söder, coligado de Merz e líder do partido União Social-Cristã (CSU), acompanhada da legenda: “Estamos prontos para a mudança política na Alemanha“. No entanto, o que chamou a atenção foi a totalidade escassez de mulheres no encontro, formado por homens entre 47 e 69 anos.
A colíder do Partido Verdejante, Franziska Brantner, criticou o vencedor das eleições do último termo de semana depois a publicação da imagem, afirmando que “até o novo governo sírio é provavelmente mais diverso do que a equipe de negociação da União”. Já Ricarda Lang, sua antecessora no função, resgatou um glosa velho de Merz ao comentar o caso: “As cotas prejudicam principalmente as próprias mulheres”.
A escassez de Dorothee Bär, uma das poucas mulheres com chances reais de integrar o porvir governo conservador, também gerou questionamentos. Mesmo tendo conquistado a maioria absoluta em seu região, ela não foi chamada para a reunião. Lilli Fischer, política do CDU —partido de Merz—, justificou a situação ao declarar que “a secretária-geral poderia ter sido uma mulher, se todas as mulheres convidadas não tivessem recusado. Isso também faz segmento da verdade”.
Os resultados das eleições reforçam a questão da representatividade feminina no parlamento. As mulheres agora ocupam 32,4% das cadeiras, uma redução em relação aos 35% anteriores. O Partido Verdejante lidera com 61% de representação feminina, enquanto a Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, apresenta o menor índice, com unicamente 12% —embora sua líder mais proeminente seja uma mulher, Alice Weidel. A CDU e a CSU, por sua vez, ficam no meio do caminho, com 23% e 25%, respectivamente.
Historicamente, a CDU teve figuras femininas de grande influência, porquê Angela Merkel —ex primeira-ministra alemã— e Ursula von der Leyen —presidente da Percentagem Europeia. No entanto, Merz, 69, procura distanciar o partido do centro político adotado durante os anos de Merkel, e muitos temem que isso signifique um retrocesso na inclusão de mulheres nos espaços de poder.
O atual premiê, Olaf Scholz, manteve um governo de centro-esquerda com equilíbrio próximo de 50% entre homens e mulheres até a recente crise que desmantelou sua coalizão. Merkel, por sua vez, apesar de se opor a cotas, garantiu uma presença feminina significativa em seus gabinetes, chegando a ter 9 ministros homens e 8 mulheres.
Já Merz rejeita explicitamente a teoria de um governo paritário. “Não estaríamos fazendo nenhum obséquio às mulheres com isso”, afirmou no ano pretérito, citando a nomeação controversa da ex-ministra da Defesa Christine Lambrecht, que renunciou em janeiro de 2023, porquê um exemplo de erro na escolha de lideranças femininas.
Apesar disso, em 2022, ele implementou uma quinhão de paridade de gênero na diretoria executiva da CDU, justificando a decisão porquê um sinal de que a questão da representatividade feminina é levada a sério pelo partido. A recente retrato, no entanto, sugere que a prática pode não estar tão atrelada ao exposição.