O enredo de disputa entre um presidente e seu vice não é muito uma novidade na América Latina. Mas, no Equador, o rompimento político ganhou contornos de denúncias de perseguição e violência de gênero, virou disputa judicial e foi escopo de comentários da ONU.
Uma vez que demonstra nesta entrevista, a vice-presidente Verónica Abad, 48, política da direita, liberal e proveniente de Cuenca, na região dos Andes, discorda do próprio governo para o qual foi eleita em um mandato-tampão de um ano e meio com o presidente Daniel Noboa em 2023.
Ligada ao empresariado, ela logo se destacou e mostrou, aos olhos de analistas ouvidos pela reportagem, um perfil político com potencial para encampar a campanha anticorrerísta (referência ao ex-presidente de esquerda Rafael Correa, hoje asilado na Bélgica, e à agora candidata à Presidência Luisa González, sua pupila).
O protagonismo da vice parece não ter derribado muito ao presidente. Noboa se recusou a deixar Abad em seu função para se alongar e fazer campanha à reeleição, porquê manda a Constituição. Quando se ausentou, colocou no posto uma secretária de sua crédito, um nome que não foi eleito para chefiar temporariamente o país. Chegou a enviar Abad porquê embaixadora em Israel, uma atitude que ela descreve porquê um desterro para afastá-la da política. A Justiça a restituiu o função.
Em meados deste mês, os relatores especiais da ONU sobre violência contra as mulheres e ordem internacional disseram que o caso de Abad “parece ser um precedente alarmante que coloca em risco o caráter democrático das eleições, enfraquece a participação das mulheres na vida pública e viola princípios fundamentais de não discriminação”.
A menos de dois meses para o segundo vez supercilioso que Noboa disputará com Luisa González depois os dois receberem mais de 40% dos votos, com menos de um ponto percentual de diferença, no primeiro vez de fevereiro, Verónica Abad diz que o presidente não cumpriu suas promessas de campanha, rasgou o Estado de Recta, cooptou poderes e se aferrou no poder à força.
Qual é a melhor opção no segundo vez, seu companheiro de placa em 2023, Daniel Noboa, ou a opositora Luisa González?
Sou secção de um binômio cuja ruptura foi clara desde o início devido ao indumentária de que a proposta de campanha que fizemos para melhorar os problemas, principalmente a instabilidade, não foi cumprida.
E marquei minha clara diferença diante de atos arbitrários, porquê o indumentária de ter sido enviada a Israel, em procura da tranquilidade. Na verdade, foi um simples exílio para me alongar das minhas funções próprias porquê vice-presidente constitucional.
Os equatorianos não podem perder a fé e devem buscar o candidato que possa executar o que propõe, já que o Equador está em uma crise política, econômica e de violência que, sem incerteza, será um problema para a região.
Compreendo que é uma resposta sensível, mas os cidadãos têm somente duas opções. Seguir com Noboa ou retomar o correísmo.
Uma servidora pública não pode fazer proselitismo político. Por isso, minha resposta aos equatorianos neste momento é um chamado à reflexão e à reconciliação, para podermos pelo menos chegar a mínimos acordos para a governabilidade e, sobretudo, para que se busque a tranquilidade. Tranquilidade que não temos agora.
O governo de Daniel Noboa é um governo democrático?
Deixou de ser. Rompeu com o Estado de Recta. Rompeu a ordem constitucional e desobedeceu a uma sentença da Galanteio Constitucional ao ter sido comunicado de que não pode, por meio de decretos, nomear outra vice-presidente, no caso sua secretária, porque não gosta da vice-presidente da República.
Para levante segundo vez, ele tem que se alongar do função para fazer campanha. A nossa Constituição assim manda, assim porquê manda que eu o substitua em caso de falta do presidente. Não tento um golpe de Estado, porquê foi dito, nem busco o poder.
No momento obrigatório de ele tirar licença para transpor e fazer a campanha política, o Equador tem que permanecer nas únicas mãos que pode: as da Vice-Presidência. Ninguém mais pode tomar o poder.
Agora o presidente propõe que o país receba forças especiais de países aliados para combater o narcotráfico e também que se permitam bases militares de outros países no Equador. Um pouco muito incomum, que só acontece em nações porquê o Haiti. O que a senhora pensa?
A cooperação externa que temos entre países irmãos, em peculiar os que fazem fronteira, Colômbia e Peru, é boa em um momento de luta contra o narcotráfico e a violência entre as gangues criminosas e o violação organizado pátrio e transnacional.
Foi feita uma tentativa de militarizar também as ruas dentro do Equador. O que acontece é que não temos o preparo e, obviamente, os recursos necessários para dar capacitação técnica. As forças públicas, militares e policiais são escassas.
Os equatorianos tiveram um aumento de 3% no IVA [Imposto sobre o Valor Agregado] para focar a segurança, o que também não rendeu frutos e é uma questão que os legisladores estão perguntando para saber onde está esse quantia que deveria ter sido focado na segurança, na melhoria do armamento e da tecnologia para poder lutar contra o narcotráfico.
Não sei se entendi muito. A sra. acha que é preciso ter ajuda dos países que fazem fronteira para o combate ao violação, mas que isso não significa que eles atuam dentro no Equador, porquê propõe Noboa?
Correto. A ajuda tem que estar fora. Somos um país soberano. Portanto, nossas leis têm que funcionar com nossa fundação e fortalecimento de nossas forças militares e de nossa polícia, com a ajuda da cooperação internacional.
A sra. mencionou a militarização. Em universal, quais foram os erros do projecto de combate ao violação que o governo Noboa adotou?
A falta, o silêncio, a impunidade, a falta de justiça, que neste momento não atua pelos verdadeiros inocentes e vítimas. Não há respostas para mães e pais que veem seus filhos saírem de vivenda e nunca mais voltarem, para jovens e crianças mortos.
Por que acha que Noboa fez porquê prioridade de seu governo essa campanha contra sua vice-presidente com tamanho mal-estar? É um tema mais ligado à violência de gênero? É um incômodo com qualquer pessoa próxima que possa confrontá-lo?
Tomar o poder pela força. Esse foi o objetivo, e assim ele o fez.
Há um ano venho denunciando cada ação de perseguição, de assédio, de violência, de maus-tratos e de discriminação que venho vivendo desde o momento em que tomamos posse, inclusive antes. Levei o tema à Justiça, mas já não temos isso no Equador.
Portanto, bati nas portas dos organismos internacionais para que possam ver o que ocorre dentro do Equador. Essa perseguição ocorre justamente a tudo aquilo que possa interromper sua estadia no poder ou sua ação de cooptar os Poderes.
O Estado de Recta já não existe no Equador. O Executivo cooptou o Judiciário. Temos juízes, meios de informação, jornalistas mulheres e advogados perseguidos, alguns até forçadas ao exílio. Meu jurisperito, que foi recluso, é o exemplo mais simples.
Interromperam todo o processo de resguardo, da presunção de inocência. Essa perseguição é contra tudo aquilo que impede que ele continue no poder. Estamos realmente falando de um golpe de Estado.
Acha que há um risco de que no segundo vez, se a oposição lucrar, Daniel Noboa não aceite e tente continuar no poder?
Pode ser, por seus atos. Ter disposto a institucionalidade do Equador contra uma mulher, contra sua vice-presidente, foi uma perseguição.
No meio de tudo isso, as Forças Armadas e a Polícia Pátrio do Equador publicamente enviaram comunicados dizendo que vão obedecer ao presidente Daniel Ortega, quando eles estão obrigados a prometer o cumprimento da Constituição. Eles não devem obediência a uma pessoa, mas à Constituição.
Que crédito nós vamos ter no processo eleitoral?
Relâmpago-X | Verónica Abad, 48
Empresária, consultora e política equatoriana nascida em Cuenca. Antes de se tornar vice-presidente em 2023, foi candidata à prefeitura de Cuenca.