Dois lances polêmicos azedaram o clima entre as equipes francesa e brasileira no confronto deste término de semana, pela primeira rodada da Despensa Davis. Ambos aconteceram nos últimos games da partida em que Arthur Fils (19º do ranking mundial) derrotou Thiago Wild (76º) por 6/1 e 6/4.
As duas decisões do perito boche Timo Janzen foram desfavoráveis ao brasiliano. Foram importantes para o resultado, porque o primeiro ponto valeu uma quebra de serviço para Fils, e o segundo deixou o francesismo a um ponto da vitória no set e no jogo.
Logo posteriormente a partida, uma vez que já está virando praxe em controvérsias envolvendo estrangeiros, brasileiros entraram nas contas de Fils e da Federação Francesa de Tênis para postar comentários ofensivos, a maioria em português mesmo. “Roubando fica fácil”, escreveu um. “Fair play sumiu, né, palhaço”, comentou outro.
Com a vitória, a França abriu 2 a 0 na melhor de cinco, pois Ugo Humbert (15º) derrotou João Fonseca (99º) por 7/5 e 6/3 na primeira partida. O confronto prossegue neste domingo (2) com a partida de duplas, entre Rafael Matos/Marcelo Melo e Benjamin Bonzi/Pierre-Hugues Herbert, e, se necessário, Humbert x Wild e Fils x Fonseca.
Quando o segundo set estava 4/4, Fils rebateu uma esfera longa demais em um break point a seu obséquio. Para espanto dos brasileiros, o perito Janzen disse que a esfera tocou na raquete de Wild e deu o ponto ao francesismo. De zero adiantou o protesto veemente do capitão da equipe brasileira, Jaime Oncins —na Despensa Davis, o treinador senta-se à extremo da quadra ao lado do jogador, alguma coisa que não acontece em outros torneios.
A segunda polêmica ocorreu logo no game seguinte, em 30/30. Wild ganhou um ponto, mas Janzen disse ter ouvido o brasiliano pedir a revisão eletrônica do saque de Fils. O ponto acabou sendo oferecido ao francesismo, que fechou a partida na jogada seguinte. “Só dei um ronco”, alegou Wild na entrevista pós-jogo.
Na hora do cumprimento de praxe na rede, entre jogadores e capitães, o clima esquentou. Questionados pela Folha, nem Wild nem Fils revelaram o que disseram um ao outro. “Foi alguma coisa no calor do momento. Ambos exageraram um pouco além do necessário. Com certeza ainda vou conversar com ele, é um rostro legítimo fora da quadra”, disse o brasiliano. “Foi a primeira vez que tive que dividir jogadores na rede”, brincou o capitão da equipe francesa, o ex-jogador Paul-Henri Mathieu.
Para os brasileiros que criticaram Fils nas redes sociais, o francesismo deveria ter reconhecido os erros da arbitragem e ofertado os pontos. Mas o próprio Wild admitiu que, no lugar do opoente, teria feito o mesmo.
“Para ser honesto, provavelmente nenhum jogador do mundo faria isso em um jogo de 30-40. Não é para ele fazer, é para o juiz tomar as decisões”, disse Wild.
“Ele também não teria me oferecido o ponto”, afirmou Fils, admitindo, porém, que não viu a esfera tocar na raquete de Wild no primeiro lance polêmico.
“Ninguém está falando que o Thiago teria ganhado o jogo”, disse Oncins, visivelmente irritado com a arbitragem. “Só que ele (o juiz) fez uma chamada (decisão) errada num momento muito importante da partida. Agora é só esfriar a cabeça, jantar e ter um bate-papo com a equipe. A gente ainda vai renhir muito para tentar virar esse confronto”, completou.