As lições de Emil Zatopek para o corredor amador – 20/01/2025 – No Corre

Esporte


Caiu-me nas mãos –caiu-me zero, eu fui buscar o livro na Livraria de São Paulo, na estação Carandiru do metrô, em São Paulo– o romance biográfico “Decorrer”, sobre o campeão olímpico tcheco Emil Zatopek, do gaulês Jean Echenoz.

Porquê biógrafo, Echenoz é um fiasco, servindo-se meramente da Wikipedia para erigir as pouco mais de século páginas de seu livro. Porquê romancista, também fica a obrigação, limitando de todas as maneiras seu convencionalíssimo narrador em terceira pessoa.

Mas, oferecido que esta pilar não é de sátira literária, sigamos. Zatopek, a “Locomotiva Humana”, porquê ficou publicado, foi considerado um dos grandes atletas do pós-guerra e o maior fundista da história por ter vencido as provas de 5 milénio, 10 milénio e ainda a maratona numa mesma Olimpíada, a de Helsinque, de 1952.

Ele também bateu 18 vezes recordes mundiais e foi o primeiro a passar 10 km em menos de 29 minutos e 20 km em menos de uma hora. Corria fazendo expressões faciais de dor, esgares esquisitíssimos, notável particularidade de alguém que o obituarista do New York Times chamou de “secção ator, secção artista”, já que um pouco daquela agonia era “meramente por efeito”.

Zatopek foi ainda a principal atração da história de 99 anos da São Silvestre, a famosa prova de rua de São Paulo, vencendo-a na noite de 31 de dezembro de 1953. Ele deve ser bastante lembrado neste 2025, que marca o centenário da competição.

Confortado e controlado pelo regime socialista da Tchecoslováquia nos anos duros da Cortinado de Ferro, mas depois proscrito por ter criticado a deposição do líder Alexander Dubcek pelas forças de Moscou em 1968, o galeria comeu por alguns anos o pão que o diabo amassou, atuando porquê mineiro em exploração de urânio e depois porquê lixeiro.

Posto isto, é preciso manifestar que a Locomotiva pode ter deixado alguns legados para nós, corredores pangarés amadores.

O primeiro: Zatopek começou tarde, entrando na corrida adulto, por injunções profissionais e a contragosto, quando a fábrica de calçados em que trabalhava exigia a participação de alguns funcionários numa prova. Se você chegou marmanjão porquê ele, mas tem ambições em subir em pódios, saiba: sí, se puede.

Segundo: a Locomotiva foi seu próprio principal treinador. A ele são creditados a disseminação e o incremento do famoso treino intervalado, novíssimo em seu tempo, e que Zatopek levou, pode-se manifestar, ao paroxismo, chegando a praticar numa única sessão até 70 tiros de 200 a 300 metros.

Por termo, ele sempre tirou partido de adversidades: situações climáticas difíceis e uso de botas pesadas na neve, por exemplo. Mais ou menos porquê a pista escorregadia e a visibilidade nula durante o treinamento incessante de Ayrton Senna com seu kart na chuva, pedagogia paterna bastante explorada na minissérie “Senna”, da Netflix.

Pense nisso quando você descobrir que uma chuvinha pode vir a calhar porquê bom álibi para cabular o cascalho da semana.

Zatopek ainda pode servir porquê exemplo de porquê a manipulação da informação é daninha. Mesmo não tendo economizado elogios ao Brasil durante sua passagem por São Paulo, ele teve o visto rejeitado pelas autoridades brasileiras para um provável retorno. O jornal solene de seu país sempre distorcia a visão normalmente muito positiva que o desportista expressava, até porquê cortesia, sobre os países capitalistas por onde passava. Já havia ocorrido na França.

Guardadas as proporções, talvez seja uma boa teoria ler uma segunda vez o textão antes de postá-lo em suas redes.


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