O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou nesta sexta-feira (17) a suspensão das negociações de sossego com o grupo armado ELN (Exército de Libertação Nacional).
“O que o ELN cometeu em Catatumbo são crimes de guerra. O processo de diálogo com oriente grupo está suspenso, o ELN não tem vontade de sossego”, declarou Petro, primeiro presidente de esquerda a assumir o país, no X.
O governador do departamento de Setentrião de Santander, William Villamizar, afirmou que um conflito entre a guerrilha e dissidentes da Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em Catatumbo, região no nordeste colombiano próximo à fronteira com a Venezuela, deixou mais de 30 mortos e 20 feridos —ele não especificou se havia civis entre as vítimas.
A defensoria pública do país relatou ainda que “dezenas de famílias” foram deslocadas e que 20 pessoas tinham o paradeiro ignoto.
Petro reiniciou os diálogos de sossego com o ELN quando assumiu a Presidência da Colômbia, em 2022. Mas o processo enfrenta crises constantes devido a ataques de dissidentes, disputas com outros grupos armados e outras divergências.
“O ELN precisa expressar, de uma vez por todas, sua intenção, vontade, decisão de perceber a sossego”, declarou Iván Cepeda, representante do governo nas negociações com a guerrilha.
Os confrontos foram motivados por uma “disputa territorial” entre o ELN e dissidentes das Farc pelo controle da produção de cocaína, segundo Villamizar. Catatumbo abriga tapume de 520 km² de plantação de folha de coca, e a Colômbia é o principal produtor de cocaína do mundo.
Um histórico conformidade de sossego assinado em 2016 dissolveu o poderoso grupo. Mas rebeldes que discordavam do tratado se reorganizaram com novos recrutas e mantêm a guerra contra o Estado, outras organizações e a população social.
Na quinta-feira (16), a ONU informou que cinco ex-combatentes das Farc que haviam menosprezado as armas em seguida o conformidade de sossego foram assassinados em Catatumbo.
“Quando tudo gira em torno dessa economia ilícita, é a partir daí que as tensões são geradas”, afirmou o general Giovanni Rodríguez, comandante da Segunda Repartição do Tropa destacada na região.
A defensora pública Iris Marín denunciou que o ELN está “atacando diretamente a população social” e vai “morada por morada” chacinar pessoas que considera ligadas a dissidências das Farc. Ela pediu “maior presença da força pública”.
“É uma disputa pelas rendas ilegais e pelo controle populacional e da fronteira com a Venezuela”, acrescentou. Segundo ela “mudanças geopolíticas” porquê a contestada posse de Nicolás Maduro na ditadura vizinha afetam “os interesses dos grupos na região”.
O comissário de sossego do governo, Otty Patiño, denunciou na quinta-feira que o ELN está “pagando pistoleiros” para chacinar o principal representante de Petro no diálogo.
O governo reprova a falta de vontade da guerrilha para assinar a sossego. O ELN, por sua vez, afirma que Bogotá procura dividi-lo ao reconhecer nas negociações a “Los Comuneros del Sur”, uma partido dissidente do ELN que opera no departamento de Nariño, no sudoeste do país.
O grupo guerrilheiro de inspiração guevarista, que pega em armas desde 1964, tem uma força de tapume de 5.800 combatentes e uma ampla rede de colaboradores, de conformidade com a lucidez militar. A estrutura federada desta guerrilha tem sido um dos maiores obstáculos para progredir rapidamente em direção a um conformidade.