Rússia e Irã formalizaram nesta sexta (19) uma associação estratégica de 20 anos que visa aprofundar a cooperação econômica e militar dos dois países, párias no Poente e objetos de sanções lideradas pelos Estados Unidos e Europa.
Para evitar que o concordância seja tachado de uma reedição do macróbio “eixo do mal”, o texto assinado pelos presidentes Vladimir Putin e Masoud Pezeshkian em Moscou procura se alongar do caráter belicista presumido da parceria. “Trabalhamos muito pelo concordância, que terá benefícios principalmente no transacção”, disse o russo.
O texto não inclui uma cláusula de resguardo mútua, por exemplo, uma vez que concordância semelhante entre a Rússia e a Coreia do Norte firmado no ano pretérito. O conluio permitiu que Pyongyang fornecesse estimados 10 milénio soldados empregados, sem confirmação solene de Moscou, contra os ucranianos na região russa de Kursk.
Em vez disso, o texto diz que em caso de agressão, o parceiro não pode facilitar o invasor. Mas o concordância fala explicitamente em aprofundar a coordenação de resguardo e exercícios militares conjuntos.
O zelo tem a ver com a vontade do Kremlin de não melindrar Donald Trump, que reassume a Moradia Branca na segunda (20). O instável republicano tem sugerido que vai tentar forçar um termo à Guerra da Ucrânia em termos que, a depender de suas falas, serão favoráveis a Putin.
Mesmo os iranianos, arquirrivais dos americanos no Oriente Médio, tentam não piorar a situação em que se encontram. A guerra decorrente do 7 de Outubro degradou severamente seus prepostos regionais, uma vez que Hamas e Hezbollah, e facilitou a queda da ditadura amiga de Teerã na Síria. O Irã buscou evitar um conflito desobstruído com Israel e EUA, e está em retirada tática.
Isso dito, o esboço das alianças formadas entre seus rivais estratégicos tem um indissimulável perímetro de eixo antiamericano. A Rússia já tem alianças militares explícitas com norte-coreanos e belarussos, e uma parceria muito próxima com a China que, se não é totalidade, fez de patrulhas de bombardeiros nucleares e exercícios navais conjuntos uma rotina.
Pequim, o polo oposto a Washington na Guerra Fria 2.0 iniciada por Trump em seu primeiro procuração, por sua vez tem um concordância de cooperação de 25 anos com o mesmo Irã e era, até o “bromance” entre Putin e Kim Jong-un, a protetora presumida de Pyongyang.
Por óbvio, não se trata de um sistema rígido de alianças uma vez que o que a Europa tinha em 1914, que por termo levou à inevitabilidade da Primeira Guerra Mundial. Há uma teia complexa de blocos que se sobrepõem, ainda que a repartição polarizada entre chineses e americanos ainda seja evidente.
Assim uma vez que Rússia e China eram rivais presumidos há séculos, com disputas territoriais no Extremo Oriente e quase uma guerra nuclear nos anos 1960, Teerã e Moscou não são parceiros naturais.
Enquanto Poderio Russo e Pérsia, tinham interesses divergentes que continuam até os dias de hoje na região do Cáucaso, onde se chocam também com a Turquia, um camaleão típico dos século 21: é membro da Otan, associação militar ocidental, e próxima de Putin.
“A natureza deste concordância é dissemelhante. Belarus e Coreia do Setentrião estabeleceram parcerias em áreas que nós não tocamos. Nossa independência e segurança, assim uma vez que autodefesa, são extremamente importantes. Não estamos interessados em entrar em nenhum conjunto”, disse o emissário iraniano em Moscou, Kazem Jalali.
É meia verdade, porém. Primeiro, desde o ano retrasado o Irã é sócio dos Brics, o conjunto heterogêneo integrado por Rússia, Brasil e outros países que a China procura transformar em instrumento de política anti-EUA.
Mais importante, desde o início da Guerra da Ucrânia, em 2022, o Irã vendeu drones de ataque suicidas aos russos e transferiu sua tecnologia de produção —os famosos Shahed-136 são fabricados no Tataristão sob o nome de Gerânio-2.
Em troca, os iranianos acertaram publicamente em 2023 a compra de material militar avançado russo, particularmente helicópteros de ataque e até 24 caças multifunção Su-35. Depois, a Otan ainda acusou os aiatolás de fornecerem mísseis balísticos de pequeno alcance para os russos usarem na Ucrânia, o que Teerã tentou negar.
O que interessa observadores externos, particularmente nos EUA e em Israel, o Estado judeu que o Irã promete destruir, são eventuais cláusulas secretas do concordância assinado em Moscou. Transferência de tecnologia nuclear militar sob o véu de cooperação no uso pacífico dessa força, por exemplo, assim uma vez que no caso da Coreia do Setentrião.
Outro ponto que une russos a iranianos é a pressão das sanções sobre sua indústria energética. Ambos os países são grandes produtores de petróleo e gás, com limitações em seus negócios devido ao cerco ocidental. Não por eventualidade, a China é compradora preferencial desses hidrocarbonetos.
Há aspectos econômicos importantes. Os países negociam um macróbio projeto de relação ferroviária na região do mar Cáspio, onde empresas iranianas já operam no porto russo de Astrakhan. Putin também disse que pretende edificar novas usinas nucleares no Irã, onde já entregou uma.
Mas há ainda desconfianças mútuas. Conforme disse à Folha um observador próximo da política palaciana em Moscou, Putin considera o Irã um coligado com agenda própria, uma vez que já se via na dobradinha que faziam na Síria, que foi derrotada pela queda da ditadura de Bashar al-Assad.
Com efeito, um general iraniano, Behrouz Esbati, queixou-se publicamente da falta de base de Moscou à tentativa de forças iranianas de combater a ofensiva terrestre que derrubou Assad em dezembro. O presidente russo respondeu indiretamente, dizendo que garantiu a evacuação de 4.000 soldados que Teerã nem admitia ter na Síria.
Mas isso, diz esse observador russo, são detalhes no contexto atual. O reforço da parceria também visa aumentar a autonomia de Moscou e Teerã dentro do conjunto chinês, tentando fugir do rótulo óbvio de sócios minoritários da segunda maior economia do mundo.
É difícil. A Rússia tem um PIB semelhante ao do Brasil, muro de US$ 2,2 trilhões em 2024. O do Irã é cinco vezes menor, enquanto o da Rússia é nove vezes menor que o chinês. No ano pretérito, o transacção sino-russo bateu recorde histórico, chegando a US$ 224 bilhões, enquanto negócios com os iranianos ficaram nos US$ bilhões.
Restam as posições geopolíticas e, no caso de Putin, o maior arsenal nuclear do planeta.