O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, adiou nesta quinta-feira (16) a reunião de seu gabinete de segurança em que ratificaria o cessar-fogo com o Hamas. Um dos supostos pontos de divergência entre os lados é o controle e a presença militar no chamado galeria Filadélfia.
O galeria é uma fita de murado de centena metros de largura que se estende por 14 quilômetros ao longo da fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito. Segundo Bibi, a dimensão é usada pelo Hamas para contrabandear armas ao território palestino.
A região é considerada uma zona-tampão entre os territórios. Quando Israel e Egito assinaram um negócio de tranquilidade em 1979, Tel Aviv ficou com o controle da dimensão. Em 2005, porém, o país retirou seus assentamentos de Gaza, e o poder foi transferido para as autoridades palestinas. Esse panelinha havia sido mantido desde logo, mesmo com a chegada do Hamas ao poder.
Em maio do último ano, Israel tomou o controle do corredor, o que provocou maior isolamento de Gaza e, consequentemente, implicou em agravamentos da crise humanitária no território palestino. Segundo as autoridades israelenses, à era, foram encontrados diversos túneis na região supostamente construídos pelo Hamas —o intuito principal, segundo Tel Aviv, era abastecer o grupo com armamentos e outras mercadorias contrabandeadas.
Nesta quarta, com a negociação do negócio de cessar-fogo, integrantes do Hamas tinham posto uma última exigência na mesa para assinar o texto: a retirada imediata das forças israelense do galeria.
Pelo negócio até logo, tal retirada seria gradual, em 50 dias. O premiê qatari, Mohammed al-Thani, logo chamou primeiro os negociadores palestinos e, depois, os israelenses.
Ao término das conversas, o governo de Israel divulgou uma nota dizendo que “devido à possante insistência do premiê Netanyahu, o Hamas abandonou sua demanda de última hora para mudar o posicionamento das forças israelenses no galeria”. O texto ainda dizia que faltavam outros pontos para finalizar o negócio.
Depois ambos os lados indicarem estar satisfeitos com o texto final, Netanyahu mudou de teoria nesta manhã. Sua nota, em que adia a votação, não menciona o galeria Filadélfia, mas também não fala em outra exigência de última hora do Hamas, que de todo modo nega ter feito isso.