Não há motivos para falar de futebol no início desta semana/ano.
Enfim, logo na primeira segunda-feira de 2025, o Brasil acordou entusiasmado com um título. Não era o hexa da seleção nem uma novidade Libertadores, mas sim a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro (uhu).
Não, o filme “Ainda Estou Aqui” não ganhou, perdeu para a França (sempre eles). O prêmio foi para a atriz, na categoria drama —que é uma das especialidades do futebol brasílico, de goleiros a atacantes, passando por técnicos e dirigentes.
Portanto, o prêmio, merecidamente comemorado na noite de domingo, foi uma conquista individual, mas porquê segmento de um grupo. Um pouco porquê Vini Jr. ser reconhecido com o The Best pelos serviços prestados ao Real Madrid, talvez.
Se todo brasílico que está comemorando nas redes sociais a vitória de Fernanda (uhu) resolvesse também ir ao cinema para assistir ao filme, “Ainda Estou Cá” pularia fácil para os 5 milhões de público (está com 3 mi). Tem palmeirense que acha que “Ainda Estou Cá” não passa de um meme inventado para explicar a permanência de Rony.
Curioso que, até anteontem, muitos especialistas lembravam a pouca relevância do Mundo de Ouro. A premiação já passou ao longo dos anos por várias denúncias de prevaricação —incluindo compra de votos, suborno e tráfico de influência, zero que nunca tenhamos ouvido falar em relação a outras corporações, porquê a Fifa.
Antes da sarau de 2022 —não faz tanto tempo, Abel já era técnico do Palmeiras—, alguns usavam o termo “podre” para se referir ao evento. Pesado, hein. E ainda tinham as questões de falta de flutuação, de gênero e raça. A premiação de 2022 não teve nem transmissão da TV —neste quesito, faltou procurarem as pessoas certas; a CazéTV certamente não se negaria a transmitir a cerimônia.
Mas tudo isso é pretérito.
Desde a vitória de Fernanda (uhu), o Mundo de Ouro é um dos prêmios mais importantes entre os troféus dourados da humanidade. Vale muito mais do que estaduais ou Despensa do Brasil —nem vou mencionar a Sul-Americana.
Para quem acompanhou o jogo desde o primórdio, dá para expor que a vitória de Fernanda foi de viradela (uhu), com gol aos 47 minutos do segundo tempo, em lance discutível que precisou da estudo do VAR. Nicole Kidman e Angelina Jolie tinham a pose do time europeu no Mundial de Clubes.
A reação de alegria e surpresa de Tilda Swinton foi a de quem achou que Fernanda estava impedida, mas o VAR apontou mesma risca.
O são-paulino Selton Mello gritou efusivamente, com mais emoção do que em qualquer gol do Calleri no Brasílio de 2024 (foram poucos).
Já o perfil do Fluminense tratou de colocar uma foto da sua torcedora ilustre com a camisa do time. Bons presságios, talvez. Outros torcedores do tricolor carioca recuperaram vídeos de Fernanda falando de sua torcida. Os botafoguenses, sedentos, tentam retrair o título para Walter Salles. Vale tudo.
Agora vamos ter os que cravam que o Mundo de Ouro é mais importante que o Oscar. Polêmico.
Aliás, é bom lembrar, sempre, que Fernanda Torres tem no currículo o prêmio de melhor atriz no prestigiado Festival de Cannes de 1986, por “Eu Sei que Vou te Amar”, de Arnaldo Jabor. E Cannes nem a Meryl Streep ganhou (só honorário).
Mas a pergunta que muitos farão exclusivamente pelo prazer da falsa polêmica é: Fernanda Torres tem Mundial?
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