Tradições cristãs da Síria seguem em perigo, mas resistem – 13/01/2025 – Cotidiano

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A Síria foi um dos principais berços do cristianismo nos seus primeiros séculos de existência. Isso é um pouco difícil de imaginar em função da guerra social iniciada em 2011 e da predominância de muçulmanos no país. Mas não exclusivamente é verdade, uma vez que, ainda hoje, muro de 10% dos sírios são cristãos divididos entre ortodoxos, melquitas, maronitas, siríacos e outras igrejas.

A influência cultural da Síria na formação da novidade religião foi considerável, e o siríaco, uma versão do aramaico, foi amplamente utilizado nos rituais e nos textos sagrados.

Ficavam na antiga Síria alguns dos primeiros locais de sábio da cristandade, uma vez que as igrejas de Dura-Europos, de São Pedro em Antioquia e de São João em Esmirna —as duas últimas situadas na atual Turquia.

No universo bíblico, a influência da Síria precedeu em muito a era cristã. Na quadra dos Reinos de Israel e de Judá, um dos principais atores da geopolítica sítio foi o Reino de Aram, uma vez que era chamada portanto a Síria. A partir de Damasco, sua capital, os reis sírios ora fizeram alianças ora guerrearam contra Israel e Judá. Em universal, os profetas bíblicos viam Aram uma vez que um inimigo perigoso ou uma vez que um coligado pouco confiável.

Uma vez que seus vizinhos, a Síria foi dominada por uma série de impérios em expansão: assírio, babilônico, pérsico, macedônio e romano. Foi na quadra romana que a Síria se tornou um posto-chave na espalhamento da teoria cristã em direção ao Mediterrâneo.

É famoso o relato da conversão de Saul de Tarso, um judeu e feroz perseguidor dos cristãos, ocorrida no caminho que levava de Jerusalém a Damasco (Atos, 9). O encontro com a aparição de Jesus fez nascer o evangelizador Paulo, um dos principais artífices da evangelização que se estendeu pelo Império Romano. Conta-se, também, que foi na cidade síria de Antioquia que os seguidores de Jesus foram chamados de “cristãos” pela primeira vez (Atos, 11,26).

Nos séculos seguintes, desenvolveram-se na Síria algumas das principais correntes de pensamento do cristianismo no Oriente. E rapidamente apareceram também divergências teológicas profundas entre um cristianismo mais solene, que se estabeleceu em Roma, e as doutrinas sírias.

Por exemplo, entre os séculos 2º e 5º, se discutia muito sobre a natureza de Cristo. Algumas correntes sírias, uma vez que o nestorianismo, defendiam a convívio em Cristo de duas naturezas diferentes e separadas, divina e humana. No Concílio de Éfeso, em 431, a Igreja Católica considerou o nestorianismo uma heresia, reafirmando que a natureza de Cristo era una, a um só tempo divina e humana.

Oriente é exclusivamente um caso de embate entre a teoria que se tornou hegemônica a partir de Roma e os cristianismos sírios. Do mesmo modo, as escolas sírias entraram em conflito com a Igreja de Bizâncio (rebatizada de Constantinopla), que se tornou preponderante no Oriente.

Grande segmento dessas experiências e do pensamento dos cristianismos da Síria desapareceu, sucumbindo a uma dura perseguição das igrejas de Roma e de Constantinopla. A partir do século 7º, com a expansão islâmica por todo o Próximo-Oriente, as comunidades cristãs que restavam foram perdendo ainda mais espaço, embora muitas tenham sobrevivido, ora em um envolvente de convívio religiosa e cultural, ora sendo reprimidas por grupos e governantes mais fundamentalistas.

Voltando aos dias de hoje, com a queda de Bashar al-Assad, além da grave crise econômica e da instabilidade política, o mundo olha com preocupação para a Síria, perguntando-se se a reconstrução do país poderá ser feita com a pacificação entre os diversos grupos étnicos e com o saudação à heterogeneidade religiosa. Inshallah ou oxalá!



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