Na semana marcada pelo anúncio de um tarifaço a todos os países, chamado de “dia de libertação” por Donald Trump, o presidente americano enfrentou alguns dos gestos de oposição —tanto fora quanto dentro do país— mais vigorosos desde o início do seu governo, há três meses.
Neste sábado (5), milhares de pessoas protestaram em Washington e em outras cidades dos Estados Unidos contra o governo, nos maiores atos de queixa a Trump desde seu retorno ao poder. Placas onde se lia “aquém a oligarquia” e “o fascismo chegou” foram vistas, em referência aos atos de Trump que tentam ampliar o poder do Executivo.
Uma coalizão composta por dezenas de grupos de esquerda, porquê MoveOn e Marcha das Mulheres, convocou manifestações sob o lema “Hands Off” (tire suas mãos) em mais de milénio cidades americanas. Na capital, pelo menos 5.000 se reuniram no National Mall, perto da Vivenda Branca.
A aposentada Lisa W, 65, que não quis dar o sobrenome, disse à reportagem que resolveu reclamar por descobrir que o país esteja indo na direção errada e pela posição de Trump em relação ao Oriente Médio.
“As pessoas em Gaza precisam se livrar do Hamas, mas Trump não precisa produzir uma Riviera lá. Isso não tem zero a ver com o que eles querem. Por isso decidi vir marchar com quem quer fosse.”
Maryann Dillon, 73, aposentada, e a filha Tamara Meyer, 32, também foram aos protestos contra Trump no primeiro procuração. Maryann avalia que o presidente está mais hostil no retorno ao poder e teme pelo que ela vê porquê afrontas à Constituição.
“Estou chocada com a falta de reverência às leis. Estamos vendo coisas que lembram a Alemanha nazista. As pessoas estão desaparecendo na rua”, diz.
Um dos principais conselheiros de Trump, mas desgastado por sua atuação no governo, Elon Musk foi um dos alvos preferenciais do ato em Washington. Vários cartazes contestavam sua participação em decisões da Vivenda Branca. “Os ataques não são só políticos, eles são pessoais também. Musk e Trump estão nos machucando, e seus amigos ricos estão muito muito”, disse uma das oradoras em cima de um palco montado perto do Obelisco. Os participantes pediram resguardo da ciência, a libertação de estudantes presos, o término das tarifas e das políticas de Trump contra a volubilidade.
O movimento ganhou escora de manifestantes em cidades da Europa. Houve atos em capitais porquê Paris, Roma, Londres e Berlim.
Muro de 200 organizações pró-Palestina fizeram secção dos atos diante da ofensiva do presidente contra estudantes de universidades que participaram de manifestações anti-Israel no ano pretérito.
O governo já prendeu ao menos três alunos de prestigiadas universidades, sob a denunciação (sem evidências) de que apoiam o grupo terrorista Hamas, e agora tenta deportá-los.
Antes das manifestações, dois acontecimentos da semana passada deram fôlego aos democratas, até logo enfraquecidos na oposição. Na terça-feira (1º), Trump e o bilionário Elon Musk tiveram uma guia política em Wisconsin. O juiz conservador Brad Schimel perdeu para a progressista Susan Crawford, que foi eleita para integrar a Suprema Galanteio do estado.
A guia ocorreu mesmo depois de o possuinte do X investir mais de US$ 20 milhões e atuar pessoalmente na disputa. Embora apartidária, na prática, a eleição foi de republicanos contra democratas. Mais do que manter a maioria progressista de 4 a 3 vigente no tribunal, o pleito deu sinais de insatisfação contra Trump —que venceu a corrida presidencial neste estado-pêndulo, um dos mais decisivos para chegar à Vivenda Branca.
Por trás, está a expectativa de democratas de conseguirem se trespassar muito nas eleições de meio de procuração em 2026 e alterarem a elaboração no Congresso. Hoje, os republicanos têm uma maioria apertada na Câmara e no Senado.
Outro gesto que chamou atenção na semana foi o do senador democrata Cory Booker, 55, que discursou por mais de 25 horas contra Trump, quebrando o recorde de fala mais longo na tribuna do Senado feita por um só orador.
O professor de ciência política de Columbia, Robert Shapiro, afirma que o tamanho dos atos deste sábado pode ser um vestígio de que a oposição tenha espaço para lucrar corpo.
“Teremos que ver porquê isso se desenrola. As eleições na terça [em Wisconsin] mostram que há uma crescente na oposição, de raiva contra os republicanos”, diz. “A principal coisa a observar é o efeito das tarifas. Trump entrou dizendo que iria melhorar a economia, tornar a vida das pessoas melhor do que nunca. E a primeira coisa que fez foi impor tarifas que, por todos os sinais, basicamente devastarão a economia.”
A atitude de Trump custou uma relação secular com um dos maiores aliados dos EUA. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou no final de março que o Canadá precisa repensar e remodelar sua economia e buscar parceiros comerciais “confiáveis”. “A antiga relação que tínhamos com os Estados Unidos, baseada na integração cada vez mais profunda de nossas economias e na estreita cooperação em segurança e militar, acabou”, afirmou o premiê.
As tarifas também são o primeiro tema a ensejar uma aparente união de uma lado dos republicanos com democratas no Congresso. Nesta semana, o deputado Don Bacon, de Nebraska, afirmou planejar apresentar um projeto de lei para que o Congresso dê a termo final sobre taxas comerciais. É o primeiro republicano a desafiar Trump publicamente.
As medidas, porém, ainda não foram suficientes para fazer grande impacto na popularidade de Trump, mas ela vem dando sinais de queda. Pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada nesta semana apontou que a taxa de aprovação do republicano caiu para 43%, a mais baixa desde seu retorno ao cargo. Em janeiro, dois dias depois da posse, 47% dos americanos aprovavam o presidente. A pesquisa foi conduzida depois do escândalo do vazamento de mensagens sigilosas a um jornlaista sobre ataques ao Iêmen.
Nesta semana, uma pesquisa da Pew Research mostrou que sete em cada dez adultos nos EUA dizem que têm escoltado as notícias sobre ações e iniciativas do governo muito (31%) ou razoavelmente (40%) de perto. Dois terços desse grupo afirmam que o fazem por estarem preocupados com os atos do presidente.
A oposição mais efetiva contra o governo até agora tem partidos dos tribunais, contra os quais Trump está em conflito ingénuo, por meio de decisões que suspendem decretos do presidente. Nesta semana, 19 estados processaram Trump contra o decreto da semana retrasada em que ele passa a exigir comprovação de cidadania para que a pessoa seja apta a votar nas eleições.