O presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmou nesta terça-feira (1º) que durante uma “reunião positiva” no sábado (29) com Donald Trump pediu pedestal militar na luta contra o narcotráfico. A enunciação foi feita a poucos dias do inexorável segundo vez das eleições presidenciais no país, no próximo dia 13.
Noboa é um dos principais aliados dos EUA na América Latina e procura pedestal internacional na guerra contra as gangues que assolam o país. Em entrevista à Rádio Sucesos, ele afirmou que o Equador está aberto à cooperação com forças internacionais. “Os Estados Unidos irão ajudar a rondar, não somente no combate ao narcotráfico, mas também nas questões de pesca ilícito, que afetam bastante nosso país.”
Noboa aparece tecnicamente empatado com Luisa González, candidata de esquerda e apadrinhada pelo ex-presidente Rafael Correa (2007-2017). De concórdia com pesquisa do instituto Altica Research, realizada de 24 a 28 de março, ela está numericamente primeiro, com 51% dos votos válidos, enquanto o presidente detém 49% das intenções. A margem de erro é de 3,7 pontos.
Recentemente, Noboa propôs ao Congresso que seja eliminada da Constituição a proibição de estabelecer bases militares estrangeiras, uma vez que a que Washington teve até 2018 no porto pesqueiro de Manta, no sudoeste do país, para voos antidrogas.
Ele também anunciou uma federação com Erik Prince, fundador da polêmica empresa de segurança privada Blackwater, envolvida em incidentes no Iraque, onde seus funcionários mataram e feriram civis.
“Um grupo deles já está chegando nos próximos dias ao país. Até agora estamos falando de consultorias, treinamentos. Mas a presença deles cá não se limitará necessariamente a esses dois temas”, disse nesta terça o ministro da Resguardo, Gian Carlo Loffredo.
Noboa também falou sobre a presença de forças internacionais no país. “Não é simplesmente que venham tropas estrangeiras e façam cá o que quiserem. Todos estão sujeitos à lei e à supervisão e devem cooperar diretamente com nossas Forças Armadas e com a polícia.”
O presidente aposta em uma política de traço dura para enfrentar a crescente violência ligada a grupos criminosos. Segundo Noboa, Trump disse que vai revisar o pedido do Equador de incluir na lista de organizações terroristas as gangues locais com conexões internacionais.
Noboa afirmou que o presidente americano pediu discrição sobre os temas discutidos, mas informou que falaram sobre segurança, migração e relações comerciais. Os EUA são o principal parceiro mercantil do Equador, que usa o dólar uma vez que sua moeda manante.
O segundo vez equatoriano deverá mostrar qual percepção social prevalece: o recente movimento anti-Noboa ou o já tradicional anti-Correa, em oposição ao paraninfo político de Luisa González e um dos nomes mais polarizadores do país.
Será ainda um tira-teima da disputa de 2023, quando os mesmos candidatos disputaram eleições atípicas, convocadas de maneira antecipada depois o portanto presidente Guillermo Lasso, investigado por prevaricação, acionar uma cláusula da Constituição pela qual a Tertúlia Vernáculo é dissolvida para ulterior eleição do Executivo. Noboa ganhou no segundo turno por 52% a 48%.