Os brasileiros, nas palavras do atacante Raphinha, iriam dar “porrada” nos argentinos no confronto entre as seleções, pelas Eliminatórias da Despensa de 2026, nesta terça-feira (25), em Buenos Aires. Dentro e, se preciso, fora do campo.
Uma enunciação desnecessária e pouco inteligente do ótimo jogador do Barcelona. O Brasil jogaria fora de mansão, contra uma equipe superior coletivamente e muito possante individualmente, que contaria com o espeque de mais de 80 milénio torcedores no estádio Monumental.
Não serviu em zero para a seleção canarinho e serviu para dar uma injeção de ânimo ainda maior para a seleção alviceleste.
O Brasil foi quem tomou “porrada”, só em campo, pois felizmente, apesar de um ou outro empurra-empurra e desentendimento verbal entre os jogadores, houve a consciência de não possuir agressão física.
Um 4 a 1 que será lembrado por muito tempo, não só pelo placar elástico, mas pela forma uma vez que ocorreu. A seleção de Dorival Júnior não viu a esfera. Os argentinos poderiam ter metido seis, sete gols, tamanho o domínio, tamanha a superioridade. O Brasil “achou” o seu gol, em um erro de um zagueiro.
Findado o jogo, só se falava em dar término à era Dorival na seleção. Em quase um ano e três meses no missão, com 16 jogos disputados (12 válidos por competição), o treinador não conseguiu dar um padrão tático ao time.
Independentemente dos escalados, o Brasil parece um catadão. Jogadores com reconhecido talento individual não jogam zero coletivamente.
Não existe uma jogada ensaiada (com esfera rolando ou em esfera paragem), não existe uma triangulação, não existe compactação entre os setores. Se isso tem sido treinado ao longo desse tempo de Dorival no comando, a realização não funciona.
E não é exceção. Não funciona nunca, não só diante da Argentina. Há alguma coisa muito inexacto.
Ah! Mas com Dorival, nesses 16 jogos, o Brasil foi derrotado em só dois: pelos argentinos, nesta semana, e pelos paraguaios, em setembro de 2024, também pelas Eliminatórias.
Sim, mas perdeu uma Despensa América no caminho (eliminado nos pênaltis pelo Uruguai) e ganhou menos da metade desses 16 jogos (sete).
Ou por outra, quando a seleção mostrou-se suasório? No a 4 a 0 diante do Peru, em Brasília, em outubro pretérito? Talvez. Mas os dois primeiros gols saíram em cobranças de pênalti. E, curioso, dois dos jogadores que fizeram gol naquela partida (Andreas Pereira e Luiz Henrique) nem foram chamados por Dorival agora.
É evidente que Dorival não encontrou as “peças” adequadas para a seleção, não formou um time-base, mormente do meio para trás. E, depois do vexame em Buenos Aires, cria-se a expectativa –com pressão da mídia– para que ele seja deposto.
É solução trocar o técnico de novo (depois da Despensa de 2022, com a saída de Tite, já dirigiram a seleção Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival), a pouco mais de um ano da Despensa? Pois o Brasil, mesmo pestilento, muito provavelmente irá à Despensa.
Parece que Dorival não tem clima, nem conhecimento, para permanecer. Vamos de quem?
O experiente Renato Gaúcho, que está sem clube? (Eu quero vê-lo lá.) O português Jorge Jesus, bem-sucedido no Flamengo, que está no futebol saudita? (Parece que ele quer.) Outro português, Abel Ferreira, do Palmeiras? (Ele, a princípio, não quer.) O novato Filipe Luís, bem-sucedido no Flamengo? (Dorival também teve sucesso no Flamengo, e no São Paulo, mas…)
Nas cinco conquistas da seleção em Copas (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), somente em uma o treinador estava adiante da seleção por mais de 14 meses: Carlos Alberto Parreira, ganhador 31 anos detrás.
Telê Santana, nos anos 1980, e Tite, recentemente, tiveram chance em duas Copas seguidas e fracassaram. Vicente Feola assumiu a dois meses da Despensa de 1958; Zagallo, a três da de 1970. Ganharam.
Zero significa que um trabalho longo vá dar resultado. Pode ser pequeno, desde que eficiente. O repto é encontrar alguém que faça a seleção funcionar a tempo da Despensa.
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