Três chaves para entender as manifestações na Turquia – 25/03/2025 – Mundo

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Dezenas de milhares de pessoas têm saído às ruas da Turquia há uma semana para protestar contra a prisão do varão que se tornou o principal rival político do presidente Recep Tayyip Erdogan e uma prenúncio aos seus 22 anos no poder.

Ekrem Imamoglu, prefeito de Istambul, é uma das mais de século pessoas, incluindo políticos, jornalistas e empresários, que foram detidas na semana passada no contextura de uma investigação judicial. Imamoglu foi recluso e denunciado de devassidão, segundo ele por razões políticas. Erdogan nega.

Desde o início dos protestos, mais de 1,1 mil pessoas foram detidas em manifestações pacíficas, embora no domingo (23) o país tenha registrado os piores tumultos da última dezena.

Em cidades porquê Istambul, ocorreram confrontos entre a polícia e os manifestantes, que foram violentamente reprimidos com gás lacrimogêneo, balas de borracha e canhões de chuva.

Segundo o ministro do Interno turco, Ali Yerlikaya, as pessoas que foram às ruas nos últimos dias “abusaram” do recta de revelação.

Yerlikaya acusou os manifestantes de “tentarem perturbar a ordem pública, incitando protestos de rua e atacando a nossa polícia”, alguma coisa que “não será tolerado de forma alguma”.

Erdogan condenou as manifestações e garantiu que o CHP (Partido Popular Republicano), legenda de Imamoglu, está tentando “polarizar o povo”.

Mas a oposição acusa o presidente turco de “tentar dar um golpe de Estado”, prendendo os seus rivais políticos.

1. Uma vez que começaram as manifestações

Os protestos começaram na quarta-feira (19), quando Imamoglu foi detido em uma operação policial que levou tapume de uma centena de pessoas, entre jornalistas, empresários e outros políticos, para a masmorra.

Os promotores acusam Imamoglu de devassidão e de ajudar um grupo terrorista, chamando-o de “suspeito de liderar uma organização criminosa”.

Milhares de pessoas saíram logo às ruas, aos campi universitários e às estações de metrô, entoando gritos contra o governo em uma prova de raiva pública porquê não se via há anos.

“Erdogan ditador!” e “Imamoglu, você não está sozinho!”, gritaram os manifestantes em frente à sede da prefeitura de Istambul, comandada pelo líder da oposição desde 2019.

Segundo o Ministério do Interno, Imamoglu foi suspenso do missão de prefeito.

O governo proibiu manifestações em Istambul, a maior cidade do país, limitou o tráfico e o transporte público e restringiu drasticamente o chegada a redes sociais porquê X, TikTok, YouTube e Instagram, de consonância com a Netblocks, um órgão de vigilância da internet com sede no Reino Unido.

Apesar das restrições e da proibição, os protestos continuaram a suceder todas as noites desde a prisão de Imamoglu.

A escalada das manifestações levou aos maiores protestos desde 2013, quando a demolição de um parque em Istambul foi o torcida que levou a população às ruas.

No totalidade, foram realizadas manifestações em pelo menos 55 das 81 províncias da Turquia, ou seja, em mais de dois terços do país, segundo escrutinação da AFP, com protestos também em Ancara, capital do país e sede do governo.

Do lado de fora da prefeitura de Istambul, a esposa do líder recluso, Dilek Kaya Imamoglu, se dirigiu à povaléu no domingo (23), dizendo aos manifestantes que a “injustiça” que seu marido enfrentou “atingiu todas as consciências”.

“Temos o recta de votar”, disse uma jovem manifestante, que preferiu não revelar o seu nome, à BBC em Istambul. “Temos o recta de escolher quem quisermos para nos governar. Mas ele [o presidente Erdogan] está nos tirando isso agora”, criticou a jovem.

Ao contrário dos protestos anteriores, as manifestações dos últimos dias reuniram muitos jovens.

“Queremos democracia”, declarou um deles à BBC. “Queremos que o povo eleja os seus governantes. E queremos o recta de seleccionar quem quisermos, sem sermos presos.”

A detenção de Imamoglu foi formalizada no domingo, quando seu partido estava programado para votar nas primárias para seleccionar um candidato às eleições presidenciais, marcadas, a princípio, para 2028, caso o governo não decida antecipá-las.

Imamoglu era o único candidato na lista das primárias, mas a votação tornou-se uma prova simbólica de espeque, com longas filas nos centros de votação.

Segundo o Partido Popular Republicano de Imamoglu, quase 15 milhões de pessoas votaram nele neste domingo.

Destas, somente 1,6 milhão eram votos de membros do partido, enquanto o restante foi depositado em urnas simbólicas por pessoas que queriam provar sua solidariedade ao político recluso.

A BBC não pôde verificar esses números de forma independente.

Apesar da sua prisão, Imamoglu foi oficialmente enunciado pelo seu partido porquê o candidato presidencial de 2028. No entanto, se for réprobo por alguma das acusações contra ele, não poderá concorrer.

Uma das lideranças do Partido Popular Republicano, Ozgur Ozel, que acusou Erdogan de não “desafiar” somente Imamoglu, mas também milhões de turcos, exigiu eleições antecipadas.

O partido também acusou o governo de tentar “um golpe de estado”.

2. Quem é o líder da oposição estagnado

Ekrem Imamoglu é um dos políticos mais populares da Turquia.

Aos 54 anos, Imamoglu é líder do Partido Popular Republicano e prefeito de Istambul. Ele é há muito tempo considerado o maior rival de Erdogan.

No ano pretérito, surpreendeu Erdogan e seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) quando manteve o controle de Istambul nas eleições municipais, conquistando um segundo procuração ininterrupto.

Para muitos observadores e comentadores políticos, esta vitória foi “a pior rota de Erdogan”.

Mas Imamoglu já havia demonstrado no pretérito que era capaz de transpor vitorioso. Quando venceu a sua primeira eleição em 2019 para se tornar prefeito de Istambul, o AKP alegou irregularidades e as autoridades eleitorais anularam a votação e ordenaram que o pleito fosse realizado novamente.

Imamoglu voltou a vencer, desta vez com uma percentagem superior, o que solidificou a sua figura porquê principal rival de Erdogan.

Nascido em 1970 em Akcaabat, cidade da província de Trabzon, na costa turca do mar Negro, Imamoglu se mudou para Istambul na juventude, estudou governo e trabalhou no setor da construção.

Apesar das origens conservadoras e de centro-direita de sua família, Imamoglu afirma que “abraçou os valores social-democratas durante seu tempo na universidade”.

Depois de uma curso empresarial, ingressou, aos 43 anos, na política quando foi eleito prefeito, primeiro de um bairro de classe média de Istambul e, finalmente, da grande cidade do Bósforo.

Istambul abriga um quinto dos quase 85 milhões de habitantes da Turquia e concentra uma secção significativa da sua economia, mormente transacção, turismo e finanças.

Erdogan, que também foi prefeito de Istambul antes de se tornar primeiro-ministro e eventualmente se tornar presidente, disse na quadra que “quem ganha Istambul, ganha a Turquia”, palavras das quais se arrependeria depois.

Muitos especialistas previram alguma coisa semelhante para Imamoglu, tornando o político uma prenúncio à liderança de Erdogan.

Durante as suas campanhas políticas, Imamoglu foi elogiado pela sua atitude gentil e bem-humorada em relação à política, que contrasta com a de muitos dos seus rivais no cenário político polarizado da Turquia.


Imamoglu também conseguiu expandir a base secular do CHP, atraindo eleitores mais piedosos e conservadores, que tradicionalmente votavam no AKP.

Desta forma, incluiu visitas a mesquitas nas suas campanhas eleitorais e anunciou recentemente a restauração de uma mesquita histórica no popular bairro de Karakoy, em Istambul.

Caso consiga finalmente transpor incólume das acusações que pesam sobre ele, a candidatura de Imamoglu enfrentará outro tropeço.

Na terça-feira (18), um dia antes da sua detenção, a Universidade de Istambul anulou o diploma universitário do opositor, obtido há 31 anos, alegando irregularidades.

Segundo a Constituição turca, os presidentes devem ter concluído o ensino universitário para serem elegíveis para cargos públicos.

3. Uma vez que Erdogan respondeu


O presidente da Turquia, que está no poder há 22 anos, acusou Imamoglu e seu partido de tentarem polarizar a sociedade turca.

Desde o início dos protestos, Erdogan emitiu vários avisos contra os manifestantes, garantindo que “a Turquia não irá sucumbir ao terror nas ruas”.

“Deixe-me proferir em cume e bom som: os protestos de rua (…) são um beco sem saída”, disse o presidente.

Os manifestantes, a oposição e o próprio Imamoglu denunciaram que a sua prisão tem motivações políticas e que é “uma mancha na nossa democracia”, nas palavras do líder da oposição.

Antes de ser recluso, Imamoglu declarou desafiadoramente: “Nunca me curvarei”.

O Ministério da Justiça insistiu na sua independência e criticou aqueles que ligam a prisão do opositor a Erdogan.

Mas para muitos analistas e observadores, a prisão do opositor e a retirada do seu diploma universitário “sugerem que Erdogan está seriamente preocupado com o vestuário de Imamoglu simbolizar uma séria prenúncio aos seus 22 anos de governo”, analisou Ahmet T. Kuru, professor de ciências políticas e perito em Turquia na Universidade Estatal de San Diego, em um cláusula no The Conversation.


Erdogan garantiu um terceiro mandato nas eleições presidenciais de 2023 e, de consonância com a Constituição, não pode governar além de 2028.

Mas os seus críticos dizem que ele poderia mudar a Constituição em procura de um novo procuração. As próximas eleições estão marcadas para 2028, mas é provável que ocorram mais cedo.

A lei limita o tempo que um presidente pode estar no poder a dois mandatos de cinco anos, mas Erdogan justificou o seu terceiro procuração afirmando que o primeiro ocorreu antes da diferença constitucional que estabeleceu o sistema atual.

Se os limites de procuração forem aumentados, ele poderá ser eleito uma quarta vez, ou até mais.

“O principal tropeço aos planos de Erdogan é Imamoglu”, um político consideravelmente mais popular que o presidente, segundo Kuru.

Esta tentativa “de monopolizar o poder e expandir mandatos poderia fazer com que o sistema político turco passasse de uma democracia imperfeita a uma “ditadura eleita semelhante à Rússia de Vladimir Putin“, argumenta o perito da Universidade de San Diego.

Erdogan e o seu governo sobreviveram a uma tentativa de golpe de Estado em 2016 que resultou em confrontos nas ruas de Istambul e Ancara, e em 256 mortes.

Para os seus apoiadores, Erdogan trouxe à Turquia anos de desenvolvimento econômico, mas para os seus detratores ele é um líder autocrático, intolerante à dissidência, que silencia duramente qualquer um que se oponha a ele.

A Percentagem Europeia instou na segunda-feira a Turquia a “tutorar os valores democráticos” porquê um país que é membro do Juízo da Europa e candidato à adesão à UE.

*Com reportagem de Cagil Kasapoglu, Rachel Hagan e do serviço turco da BBC.

Esta reportagem foi originalmente publicada aqui.



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