Venezuela recebe 199 deportados dos EUA em meio a crise – 24/03/2025 – Mundo

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Quase 200 deportados dos Estados Unidos chegaram à Venezuela na madrugada desta segunda-feira (24), em uma operação que marca a retomada dos voos de migrantes do país sul-americano expulsos de solo americano depois o retorno do presidente Donald Trump à Vivenda Branca.

Dois dias antes, no sábado (22), Caracas havia anunciado o retorno das repatriações, suspensas há um mês depois atritos entre os dois países. O avião da companhia aérea estatal Conviasa saiu do Texas rumo a Honduras antes de pousar no aeroporto internacional de Maiquetía, ao setentrião de Caracas, à 1h01 (2h no Brasil), transportando 199 migrantes.

Ao descer da avião, um deles gritou: “Obrigado! Deus abençoe a Venezuela”. Algumas horas antes, a televisão estatal havia exibido imagens registradas dentro do avião no aeroporto de Honduras nas quais os migrantes, todos homens, apareciam algemados.

Eles foram recebidos pelo ministro do Interno venezuelano, Diosdado Cabello, porquê ocorreu com os deportados dos outros três voos dos EUA. Os dois primeiros decolaram de El Paso, no Texas, no dia 10 de fevereiro, seguido por outro com 177 migrantes que haviam sido levados para a prisão de Guantánamo, em Cuba, e posteriormente repatriados via Honduras.

“Retoma-se isso que, na verdade, não deveria ter tido problemas”, afirmou o funcionário da ditadura. “As viagens estão com pouca regularidade, mas não por culpa da Venezuela. Nós estamos prontos para receber os venezuelanos, estejam onde estiverem, quando existirem as possibilidades.”

Segmento das rusgas se deve à deportação de mais de 200 pessoas que os EUA consideram suspeitas de pertencer à gangue Tren de Aragua a El Salvador, onde estão sendo mantidas na megaprisão construída sob o governo de Nayib Bukele.

A fragilidade de muitas das acusações tem gerado críticas a Trump. Para conseguir enviá-los ao país centro-americano, o republicano invocou uma lei de 1798 que permite a expulsão, sem julgamento, dos chamados “inimigos estrangeiros”.

Nesta segunda, Cabello voltou a criticar a operação, questionando a “narrativa que tentaram impor sobre a violência venezuelana” e exigindo a restituição dos deportados ao país centro-americano. “Deveríamos perguntar ao senhor Bukele e a todos esses sequestradores de venezuelanos se qualquer deles cometeu qualquer transgressão em El Salvador”, afirmou.

A pausa também se deve à suposta lentidão no ritmo das repatriações, na visão dos EUA —denúncia que fez Washington suspender a licença para que a petroleira americana Chevron operar no país caribenho. Caracas, por sua vez, argumenta que o Departamento de Estado americano estava bloqueando os voos.

Quase 8 milhões de venezuelanos abandonaram seu país desde 2014, segundo as Nações Unidas. Eles saíram em procura de melhores condições de vida em meio a uma crise profunda que reduziu a economia em 80%. Maduro, que atribui o êxodo às sanções dos EUA, desconsiderou por anos o tamanho da diáspora venezuelana.



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