10 de outubro de 2024. Brasil e Chile, ambos sob risco de não ir à Despensa do Mundo de 2026 devido à campanha fraca nas Eliminatórias sul-americanas, duelam no Estádio Vernáculo de Santiago.
Logo aos 2 minutos, Vargas abre a resenha para os anfitriões, deixando a seleção de Dorival Júnior –desfalcada de Neymar (em longa recuperação de cirurgia) e sem grande crédito depois de perder do Paraguai na rodada anterior– muito cedo em situação ruim.
Felizmente para o treinador e para quem torce pelo Brasil, a virada saiu, com gols dos botafoguenses Igor Jesus (centroavante), no finalzinho do primeiro tempo, e Luiz Henrique (atacante pela direita), que saiu do banco, no final do segundo tempo.
Luiz Henrique, que em dezembro se tornaria herói do Botafogo na decisão da Libertadores contra o Atlético-MG, ainda marcaria, mais uma vez entrando uma vez que substituto, na partida seguinte da seleção, diante do Peru, uma goleada por 4 a 0.
As atuações diante de chilenos e peruanos renderam à dupla novidade convocação, para os jogos contra Venezuela e Uruguai, em novembro.
Dessa vez, nos empates por 1 a 1 perante os dois adversários, eles não brilharam, uma vez que ninguém do Brasil brilhou, à exceção de Raphinha e Gerson, um gol cada um.
A longa pausa até as próximas partidas nas Eliminatórias –faltam seis, e as primeiras da série serão neste mês, contra a poderoso Colômbia e a Argentina, atual campeã do mundo– mudaram a cabeça de Dorival, que descartou Igor Jesus e Luiz Henrique, salvadores cinco meses detrás.
6 de março de 2025. Na entrevista pós-convocação, o treinador não falou sobre essas ausências, já que não foi questionado pelos jornalistas presentes à sede da Confederação Brasileira de Futebol.
Jornalistas esses que foram instados por Rodrigo Caetano, o diretor de seleções da CBF, a não fazer perguntas sobre quem não foi chamado, mas só sobre os que estavam na lista. (Péssimo um dirigente, seja qual for, querer direcionar uma entrevista.)
Sem a vocábulo de Dorival, resta aos analistas confabular acerca das razões de Igor Jesus, 24, e Luiz Henrique, 24, terem sido preteridos.
Igor Jesus caiu muito de rendimento de 2024 para 2025. Em oito jogos neste ano, por três competições diferentes (Estadual do Rio, Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana), marcou um único gol. Muito pouco para um centroavante.
É justo deixá-lo fora e dar oportunidade a Matheus Cunha, 25, do Wolverhampton, e João Pedro, 23, do Brighton, que fazem temporadas boas na Inglaterra.
Luiz Henrique possivelmente perdeu o lugar entre os 23 da seleção devido à carência dos gramados em 2025. Falta-lhe ritmo de jogo.
Negociado com o Zenit, da Rússia, em janeiro, ele jogou no campeonato sítio somente uma vez, no sábado (8), pois o torneio fica em recesso de três meses devido ao rigoroso inverno no extremo leste europeu.
Não ajudará Luiz Henrique, doravante, o traje de atuar na Rússia, malvista devido à guerra com a Ucrânia, que tem alijado os clubes do país das competições europeias (estão sancionados), e que organiza um campeonato de baixa visibilidade.
O ex-botafoguense está em uma péssima vitrine, diferentemente de concorrentes pela posição, casos de Savinho, 20, do Manchester City (que tem intermitente boas e más atuações), e Estêvão, 17, do Palmeiras e em breve do Chelsea, candidatíssimo a virar craque –talvez já seja para alguns.
Assim, pode até ser que salvar o Brasil em determinado momento dê crédito para determinados atletas, mas é evidente que, para Dorival, esse crédito é perecível.
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