Argentina vive caos climático com apagão e chuva histórica – 07/03/2025 – Mundo

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A imagem de enfermeiras com chuva até quase os joelhos retirando bebês de uma UTI neonatal em um hospital inundado na província de Buenos Aires, na Argentina, coroou uma semana de despedida do verão que tem sido descrita uma vez que “caos climatológico”.

Em uma mesma porção do país a umidade foi vilã de dois problemas. No município de Bahía Blanca, levou a chuvas torrenciais que mataram pelo menos seis pessoas nesta sexta-feira (7). Na capital, Buenos Aires, fez a sensação térmica atingir o recorde de 47°C em meio a apagões.

Meteorologistas explicaram que uma tamanho de ar com muita umidade chegou a essa região. Na porção de Bahía Blanca, o encontro com uma frente fria levou à poderoso precipitação. Foram 300 milímetros em exclusivamente cinco horas de uma chuva que começou antes do amanhecer e é descrita uma vez que de volume histórico —quase metade do que era previsto para o ano inteiro.

Já em Buenos Aires, a mesma tamanho de ar somou-se à tradicional umidade oriunda do rio da Prata que torna mais intensos os verões caracterizados pelas cada vez mais frequentes ondas de calor. O sistema elétrico, publicado por suas falhas, apresentou recorrentes problemas no vértice da demanda, em grande medida gerada pelo uso frequente dos ares-condicionados.

As operadoras Edesur (controlada pela italiana Enel, também alvo de recentes críticas no Brasil e no Chile) e Edenor, as duas privatizadas nos anos 1990, dividem-se no fornecimento de serviço em Buenos Aires. Desde o início da semana milhares de usuários têm se queixado de cortes de luz que ultrapassam dez horas de duração.

O vértice do problema ocorreu na quarta-feira (5), quando com mais de 35°C um vasto incisão deixou 620 milénio usuários, ou mais de 2 milhões de pessoas, sem luz. Em canais públicos, as empresas repetem “desculpas aos usuários pelos inconvenientes”. Também nesta sexta, diferentes pontos da capital estão no escuro, com 26 milénio usuários afetados.

Durante a semana, a empresa controlada pela Enel disse que houve falhas nas linhas de subida tensão e que a demanda de robustez chegou a 4.395 megawatts, muito próximo ao do recorde registrado, de 4.545.

Na noite de quinta-feira (6), um panelaço foi realizado em toda a região no entorno do Congresso da Argentina, onde os moradores estavam há mais de 8 horas seguidas sem luz no terceiro dia de cortes. A população reclama da comida estragada nas geladeiras e da dificuldade de locomoção para idosos. Nas ruas com semáforos sem funcionar, o trânsito se intensifica. Na quarta, a própria Moradia Rosada, lugar de trabalho do presidente Javier Milei, chegou a permanecer sem luz.

Os fenômenos climáticos extremos não são exceção, mas agora jogam luz também para o contexto político. Eles ocorrem justamente em um momento no qual o governo Milei reiteradamente dá sinais de que gostaria de abandonar o Acordo de Paris, de controle das emissões que aceleram o aquecimento global —um tanto que para Milei, aliás, não teria a ver com a ação humana, a despeito do que diz a ciência.

O conta político não é simples, oferecido que o concórdia é fundamental para ao menos dois grupos de interesse dos argentinos, a União Europeia, com quem o Mercosul recém-terminou um concórdia de livre-comércio, e a OCDE, o clube dos países ricos, que a Argentina quer integrar.

A situação, principalmente em Bahía Blanca, tem exigido a cooperação entre o governo federalista, com as Forças Armadas, e a província de Buenos Aires em um momento de subida tensão. Há poucos dias Milei cobrou a renúncia do governador da província, o peronista Axel Kicillof, nome que desponta uma vez que presidenciável em 2027.

No município, as correntes de chuva nas ruas levantaram e viraram carros e seguiram em direção ao mar. O aeroporto lugar foi fechado, o transporte público, completamente suspenso, e a recomendação é não trespassar de mansão. Um hospital público, o Penna, de onde foram removidos os bebês citados no início desta reportagem, colapsou.

Em 15 dias o país se despede de mais um verão intenso para dar boas-vindas ao outono enquanto ainda se recupera das sequelas do “caos climatológico”. Já se adianta outra preocupação: se no verão as redes elétricas colapsam, no indiferente não é incomum que falte gás para abastecer algumas regiões argentinas, a despeito das enormes reservas nacionais.

No ano pretérito, o país chegou a recorrer de maneira urgente ao governo Lula para comprar gás da Petrobras. A esperança é que o gás de Vaca Muerta amenize essa situação.



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