Efeito Trump faz Europa buscar equilíbrio com a China – 28/02/2025 – Igor Patrick

Mundo


Donald Trump começou a semana desmentido pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e pelo premiê do Reino Unido, Keir Starmer, sobre a natureza da ajuda europeia à Ucrânia, ameaçou (mais uma vez) impor tarifas contra Bruxelas e encerrou o expediente nesta sexta-feira em uma impressionante pugna em frente às câmeras com Volodimir Zelenski. Escandalosos dias que chocariam a prensa em outros tempos, mas que se tornaram o novo normal em Washington.

A rusga com o presidente ucraniano terminou sem a assinatura de um acordo pelas terras-raras do país ocupado mas também, notavelmente, com uma onda de tuítes vindos de todas as capitais do velho continente apoiando Kiev. Demorou pouco, e a União Europeia finalmente entendeu que está espremida entre duas nações hostis, Estados Unidos e Rússia —para o delícia dos chineses.

A aproximação UE-China está deixando de ser uma hipótese distante para se tornar uma veras pragmática. Com a relação transatlântica em frangalhos, Bruxelas encontra-se num dilema: teimar na parceria com um coligado cada vez mais volátil ou buscar estabilidade em Pequim.

Sob Trump, a Europa enfrenta tarifas sobre seus produtos e pressão crescente para aumentar gastos militares. A crise do multilateralismo e o retiro americano em temas como regulação tecnológica e mudanças climáticas deixam o conjunto sem um parceiro confiável. Pequim, por sua vez, aproveita a brecha.

Essa aproximação não é desprovida de vantagens para os europeus. A China é um mercado importante para diversos setores do conjunto, especialmente para a indústria automobilística. Em meio às tensões comerciais com Washington, um reposicionamento estratégico pode servir porquê missiva de barganha.

No campo diplomático, Pequim também se mostra mais oportunidade que os EUA a incluir a UE nas discussões sobre a tranquilidade na Ucrânia. Diante das negociações entre Washington e Moscou, tem sido a China a insistir para que todas as partes envolvidas se sentem à mesa.

Mas os europeus não são ingênuos. A submissão energética em relação à Rússia ameaçou deixar todo o continente congelando no inverno de 2022, e hoje é ponto pacífico que responsabilizar em Moscou deixou os europeus expostos e fragilizados. Estimular submissão similar de insumos e tecnologias chineses pode muito muito despertar temores de natureza semelhante.

Por fim, o histórico de Pequim em relação a práticas comerciais desleais e espionagem cibernética não é animador. Outrossim, a relação próxima entre China e Rússia segue porquê um tropeço incontornável para um alinhamento pleno. Por mais que Pequim tente se vender porquê parceiro confiável, a memória europeia sobre sua posição na guerra na Ucrânia ainda pesa.

Vai se desenhando agora um estabilidade frágil. A Europa precisa se munir de pragmatismo, utilizando a aproximação com Pequim porquê instrumento de pressão sobre Washington sem desabar na embuste de substituir uma submissão por outra.

Ganha a China, que se fortalece diante da fragilidade ocidental; ganha a UE, que amplia suas margens de manobra. Perde, todavia, a congruência da política externa europeia, que se vê cada vez mais refém de um jogo de forças alheio aos seus interesses de longo prazo. A Europa, mais do que nunca, precisa pisar com cautela.


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