A euforia ao volta do tenista brasiliano João Fonseca tornou coadjuvante o número dois do mundo, o teutónico Alexander Zverev, que estreou no Rio Open nesta terça-feira (18), horas antes de o brasiliano entrar na quadra de saibro do torneio carioca.
No último jogo da noite, Fonseca foi eliminado na estreia, posteriormente perder para o gálico Alexandre Muller por 2 sets a 0, parciais de 6/1 e 7/6 (7/4).
Fonseca, 18, é o 68° no ranking da ATP (Associação de Tenistas Profissionais). Muller, dez anos mais velho (28), é o 60°.
O público ocupou a quadra principal duas horas antes da partida de Fonseca. Queriam ver Zverev em ação. Mas o principal tópico das conversas, dentro e fora das arquibancadas, era até onde Fonseca poderia chegar e quem o brasiliano já conseguiria encarar de igual para igual.
“Eu sabia que teria que enfrentar esse nervosismo e não consegui jogar meu jogo, não consegui ser do jeito jubiloso dentro de quadra. Não consegui arrumar forças e jogar com o público. Essa foi minha frustração de hoje”, disse Fonseca em entrevista coletiva posteriormente a roteiro.
A euforia por Fonseca aumentou a procura por entradas para o torneio, o mais importante do tênis na América do Sul. Apesar de esgotados desde novembro, ingressos ainda eram encontrados com cambistas.
Na segunda-feira (17), dia em que Fonseca exclusivamente treinou, ingressos eram vendidos na porta do Jockey Club Brasiliano, zona sul do Rio, a partir de R$ 700. Nesta terça, eram encontrados por R$ 3 milénio, em média.
Alguns torcedores que compraram ingresso para esta terça não puderam testemunhar ao tenista brasiliano. O ingresso é dividido por sessões da tarde e da noite, e aqueles que adquiriram a primeira devem deixar a quadra antes do início dos últimos jogos.
Zverev enfrentou o chinês Yunchaokete Bu, e foi o 69° do ranking quem recebeu pedestal da maior segmento dos torcedores, que murmuravam “Buuu”, uma vez que os fantasmas de quadrinhos, a cada ponto do azarão.
Concentrado, Fonseca entrou pouco depois das 21h30 sob aplausos. Quase tomou um pneu — termo usado no tênis quando um primeiro set termina em 6 games a 0 — e aparentou recusa com seu início, dando longos suspiros em algumas falhas. O brasiliano foi derrotado no primeiro set por 6 games a 1.
Cometeu erros com bolas no fundo, e era punido por jogadas curtas do gálico. As bolas rápidas em paralela, um dos pontos fortes do brasiliano, entraram pouco.
O jovem demonstrou algumas vezes irritação com os rumos do jogo.
A cada erro, era ajudado por gritos de “Vai, João” e “calma, João”. Em entrevistas, o tenista afirmou não se sentir atrapalhado ou inseguro com as manifestações dos torcedores.
Quando passou avante do placar pela primeira vez no duelo, na metade do segundo set, levantou os braços e pediu manifestações da torcida.
O público deu um tanto de trabalho ao avaliador, que precisou pedir silêncio, em um cortês “por obséquio, obrigado”, a cada grito fora de hora. Foram mais de 15 os pedidos de silêncio.
“O diferencial do primeiro para o segundo set foi o nervosismo. Fui acalmando os nervos, conseguindo me soltar, mexer mais as pernas, ser um pouco mais sólido, mas infelizmente era tarde demais”, disse o tenista.
O brasiliano Thiago Monteiro enfrenta o taiuanês Chun-Hsin Tseng na segunda rodada, em jogo que acontece na noite desta quarta-feira (19).
Outros dois brasileiros da disputa de simples, Felipe Meligeni foi derrotado na primeira rodada pelo russo Alexander Schevchenko (2 sets a 0), e Gustavo Heide pelo prateado Francisco Comesana (2 sets a 1).