Pioneiro no futebol profissional com jogadores indígenas, o Gavião Kyikatejê Futebol Clube aposta em uma campanha publicitária em procura de patrocínio para se manter no cenário esportivo, com bons rendimentos em campo e projetando novos talentos para times de todo o Brasil.
A equipe foi fundada em 2009, em Marabá (PA), pelo cacique e técnico Zeca Gavião –o primeiro indígena do Brasil a ter formação superior em futebol. Ele conta que decidiu gerar o clube posteriormente ver suas tentativas frustradas de emplacar jovens jogadores indígenas em times paraenses.
“No cenário do futebol [profissional], os indígenas não aparecem muito. Até gerar o Gavião Kyikatejê, eu passei por um caminho de preconceitos”, disse. “Falta espaço para a juventude indígena.”
“O que me motivou a gerar o time foi quando eu levei alguns atletas [indígenas] para se apresentar em um clube no Pará. Eles foram discriminados, cortados do clube e voltaram para povoação. Aquilo mexeu muito comigo”, acrescentou.
Zeca promove uma campanha com um grupo de publicitários, de forma voluntária, para recontar a história do time e de seus jogadores com objetivo de combater o preconceito e atrair investidores. Segundo ele, a falta de recursos impacta o desenvolvimento dos treinos e dos jogos.
“A gente depende de pedestal para manter, por exemplo, um jogador do estado do Rio Grande do Sul, e trazer mais indígenas de outras regiões. A nossa maior dificuldade é chegar à escol dos times paraenses. Precisamos ter mais jogadores de ponta para substanciar o time”, destacou.
O Gavião Kyikatejê FC já competiu no Campeonato Paraense, o Parazão, na primeira partilha, em 2013 e 2014, e chegou a jogar contra os tradicionais Paysandu e Remo. Agora, sonha em voar mais cima e estrear em competições porquê a Despensa do Brasil e a Despensa Virente.
O time ainda se recupera dos prejuízos causados pelo período da pandemia de Covid-19, além de problemas recentes porquê o das queimadas –o Pará foi estado que mais sofreu com o problema em 2024– e o desmatamento proibido na região, que impactam o modo de vida dos povos tradicionais.
“A resposta ao preconceito será a nossa capacidade, quesito e conhecimento, para chegar a um nível cima. Somos um time indígena profissional. Em nossas camisas [que levam as pinturas corporais da etnia gavião], carregamos muitas histórias”, concluiu Zeca.
Pedido de desculpa e campeonato no Xingu
Em julho do ano pretérito, o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, usou a expressão “time de índios” para abordar uma desorganização da equipe, ao averiguar a vitória por 3 a 1 sobre o Atlético Goianiense. A enunciação foi considerada xenofóbica.
Em sua conta no Instagram, Abel pediu desculpas logo posteriormente a repercussão. “Repudio toda e qualquer forma de preconceito e discriminação. Infelizmente, há expressões que continuamos a perpetuar sem que nos debrucemos sobre o seu teor”, diz trecho do expedido.
Já neste ano, o Palmeiras promoveu nos dias 29 e 30 de janeiro, em parceria com a Embaixada da Noruega no Brasil, a primeira “Despensa Xingu: Por Um Porvir Mais Virente”, campeonato de futebol disputado por povos indígenas que vivem no Território Indígena do Xingu, em Mato Grosso.
A competição foi realizada na povoação Yawalapiti e contou com equipes femininas e masculinas. O vencedor na categoria masculina foi o Arayo FC, que derrotou o FC Wakatxi. Já na competição feminina, o título ficou com a equipe Morená FC, que venceu o Bayer Pirino.