Trump invoca lei antiga para plano de deportação em massa – 10/02/2025 – Mundo

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A maior operação de deportação em massa da história dos Estados Unidos. Foi isso que Donald Trump prometeu durante a sua campanha e no seu exposição de tomada de posse do segundo mandato porquê presidente.

Tornou-se simples que as suas duras políticas de imigração não são dirigidas unicamente contra os migrantes que chegam à fronteira sul, por vezes em caravanas, mas também contra aqueles sem regimento de imigração legítimo que já vivem em solo americano.

E para ajudar a remover esses migrantes do domínio dos EUA, o governo Trump recorreu a uma lei de guerra do século 18: a Lei dos Inimigos Estrangeiros (Alien Enemies Act).

“Nosso governo não protege nossos cidadãos americanos cumpridores da lei, mas fornece abrigo e proteção a criminosos perigosos que entraram ilegalmente em nosso país vindos de todo o mundo”, disse Trump em seu exposição de posse.

“Toda a ingressão irregular nos EUA será interrompida. Enviarei tropas para a fronteira sul para repelir a invasão desastrosa do nosso país”, acrescentou, ao mencionar a Lei dos Inimigos Estrangeiros, de 1798.

Esta regra com 227 anos dá aos presidentes domínio para estagnar e expulsar cidadãos estrangeiros de países com os quais a sua país está em guerra. Ou seja, nações com as quais os EUA mantêm hostilidades reais.

A lei é conhecida pelo seu papel na prisão de alemães, italianos e japoneses que vivem nos EUA. Mais de 30 milénio estrangeiros dessas nações passaram a guerra presos em campos de concentração porque o governo os considerou potencialmente perigosos.

Mas embora Trump esteja há meses planejando com seus conselheiros porquê executar a sua promessa de realizar essa ofensiva sem precedentes contra a imigração legal e ilegal, até agora o presidente americano não recorreu formalmente à regra. Ele tem, no entanto, mencionado a lei em seus discursos e entrevistas.

Consequências

Se Trump resolver usar a Lei dos Inimigos Estrangeiros em vez da lei de imigração existente, “isso daria ao seu governo um poder executivo muito vasto e irrestrito para estagnar e expulsar, à vontade, imigrantes sem documentos”, explica Dan Tichenor, professor de ciência política na Universidade de Oregon.

O vice-presidente J. D. Vance afirmou que as deportações poderiam inaugurar com um milhão de pessoas.

“A norma autoriza os presidentes a agilizar o processo de deportação, deixando os não cidadãos sem possibilidade de recurso aos tribunais de imigração”, afirma Tichenor.

Ao expelir o processo legítimo e os recursos aos quais os imigrantes podem recorrer, o tempo dos processos seria reduzido, permitindo que as deportações ocorressem mais rapidamente e em maior graduação, tal porquê Trump prometeu.

“Esta lei permite ao presidente discriminar os imigrantes com base no seu país de cidadania ou no seu local de nascimento, ou seja, na sua progénie. E, porquê o Supremo Tribunal dos EUA reconheceu, a discriminação baseada na progénie levanta as mesmas preocupações sérias que a discriminação baseada na raça”, lembra Katherine Yon Ebright, do Núcleo Brennan para a Justiça.

A advogada diz confiar que os venezuelanos nos EUA podem ser o grupo mais vulnerável. “Há alguns indícios de que Trump poderia usar a lei para ordenar a detenção e deportação de todos os venezuelanos com mais de 14 anos, incluindo residentes permanentes, que não sejam cidadãos americanos”, afirma ela.

Venezuelanos, salvadorenhos e mexicanos

Mas Yon Ebright admite que é mais provável que Trump escolha os venezuelanos “considerados perigosos” ou “considerados membros do Tren de Aragua”, uma sangrenta gangue venezuelana que se expandiu pela América Latina e está presente nos EUA.

Porquê a Lei dos Inimigos Estrangeiros não exige provas para estabelecer se alguém pertence ou não à gangue, “qualquer venezuelano pode ser considerado uma ameaço e estar sujeito a perseguição, mesmo que não haja base real para essa criminação”, acrescenta o pesquisador.

De entendimento com as estimativas mais recentes do Migration Policy Institute, com sede em Washington, existem aproximadamente 11 milhões de imigrantes sem documentos vivendo nos Estados Unidos.

Só o México já representa mais da metade dessa estimativa, enquanto a América Central responde por 15%. Os especialistas acreditam que isso coloca essas populações na mira da lei.

“Trump pretende expressar que os EUA estão em guerra com os cartéis de drogas que controlam certos países latino-americanos porquê pretexto para invocar a lei. Tal tentativa será certamente julgada pelos tribunais federais”, estima o professor Tichenor.

E tanto o texto porquê a história da Lei dos Inimigos Estrangeiros apresentam enormes obstáculos jurídicos à governo Trump. Em primeiro lugar, porque os EUA não estão numa guerra oportunidade e, em segundo lugar, tudo indica que será difícil para a equipa de Trump provar que a imigração é uma invasão estrangeira hostil.

Por trás do seu argumento está a teoria de Trump —repetida em inúmeros discursos— de que existem governos estrangeiros que enviam propositadamente legiões de imigrantes sem documentos, indesejados e violentos para os EUA.

Em diversas ocasiões, o presidente citou expressamente o México e a Venezuela. É por isso que os analistas afirmam que existe o risco de a governo republicana rotular alguns países latino-americanos de narcoestados desonestos em guerra com os Estados Unidos.

“A lei de 1798 deixa simples que uma ‘invasão ou ataque predatório’ deve ser realizada por uma ‘país ou governo estrangeiro’ para ser invocada. No entanto, o Congresso não declarou guerra a nenhum país há mais de 80 anos, nem nenhum outro governo lançou uma invasão contra o território americano”, lembra Tichenor.

Presidentes que invocaram a lei no pretérito fizeram isso durante conflitos de guerra, porquê James Madison na Guerra de 1812 ou Woodrow Wilson na Primeira Guerra Mundial e Franklin Roosevelt na Segunda Guerra Mundial, quando a lei foi usada para internar 31 milénio estrangeiros de progénie japonesa, alemã e italiana.

“Uma lei em tempos de guerra não tem lugar em tempos de sossego. Se Trump prosseguir de qualquer maneira, certamente enfrentará desafios legais por secção das pessoas afetadas, de grupos de resguardo e de estados”, afirma Yon Ebright.

Criminalização dos imigrantes

“A questão que os tribunais terão que resolver é se a invasão contemplada pela lei de 1798 é uma invasão tradicional, de estilo militar, pelas Forças Armadas, ou se a sua tradução pode abranger pessoas que vêm para os Estados Unidos em procura de trabalho ou fugindo de perseguições”, diz o acadêmico César Cuauhtémoc García Hernández, profissional em estudos de imigração e professor de direitos civis e liberdades na Faculdade de Recta Moritz da Universidade do Estado de Ohio.

“O que vemos hoje é que Trump equipara os imigrantes que chegam de Honduras fugindo da pobreza ou da Venezuela fugindo do regime político de Maduro com um soldado germânico tomado depois uma guerra da Segunda Guerra Mundial”.

“O temor dos imigrantes aumentou nas últimas décadas. É quase impossível ouvir os políticos falarem sobre imigração sem associá-la ao delito”, acrescenta.

“Há um século, falava-se dos imigrantes porquê uma força de trabalho que fortalecia a economia de um país; agora vivemos numa era em que os imigrantes são tratados porquê criminosos. E essa retórica se expandiu sob a influência de Donald Trump no Partido Republicano e, obviamente, no gabinete presidencial”, explica o professor.

Outra secção do problema, salienta ele, é que viver nos EUA sem documentação não é um delito de qualquer tipo. É uma violação da lei administrativa social do governo federalista, mas não é um delito.

Título 42

Não é a primeira vez que Trump desenterra uma lei antiga para deportar migrantes.

Durante a pandemia, a sua primeira governo citou riscos para a saúde pública porquê justificativa para fechar as fronteiras do país e deportar rapidamente os migrantes que tentaram cruzar ilegalmente para os EUA.

Na era, ele mencionou o Título 42, uma antiga lei de saúde pública que permitia o bloqueio dos migrantes antes que eles colocassem os pés no país e até limitava a oportunidade de solicitar asilo.

“O sonho americano retornará em breve”, disse Trump no exposição de posse. Mas certamente para muitos na América Latina esse sonho está agora ficando mais distante. É provável que o Supremo Tribunal tenha a última termo.

Esta reportagem foi originalmente publicada aqui.



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