Neymar poderia se reinventar, como Messi e Cristiano – 08/02/2025 – Tostão

Esporte


Na estreia, Neymar teve uma atuação melhor do que se esperava. Por outro lado, receio que ele repita a postura dos últimos anos, de se instalar em um espaço do campo, distante da espaço adversária, e a partir daí receber um excesso de bolas para tentar um passe decisivo ou driblar vários jogadores até o gol. No caminho, será derrubado, com mais riscos de contusões.

Nos últimos anos, Messi reinventou seu talento ao passar a jogar em um espaço menor e mais perto da espaço, onde, humilde, uma vez que se estivesse fora do jogo, mapeia tudo o que acontece à sua volta e, sem pressa, tenta a jogada decisiva no momento evidente.

Cristiano Ronaldo também se reinventou nos últimos anos. Antes, deslocava-se do lado para o núcleo, com velocidade, para receber a esfera e finalizar. Agora, joga uma vez que um típico centroavante, onde espera, sem sofreguidão, a esfera certa no lugar evidente para fazer o gol.

Dias detrás, Cristiano Ronaldo, com sua exacerbada autoestima, disse que é o melhor e o mais completo atacante do mundo de todos os tempos, pois faz muitos gols de todos os jeitos possíveis. Acha que o melhor é sempre o que faz mais gols. Messi, além de marcar um número inacreditável de gols, é mais completo e melhor porque possui inúmeras outras virtudes.

Penso que Neymar poderia também se reinventar sem diminuir o seu talento. Suspeito que Jorge Jesus, ao expressar que Neymar não tinha condições físicas para seguir os outros jogadores do time arábico, referia-se à marcação por pressão, propriedade do ex-técnico do Flamengo. Filipe Luís bebeu na sua manancial.

É preciso separar a marcação por pressão em todo o campo, ainda pouco frequente nas equipes brasileiras, da marcação unicamente na saída de esfera do goleiro, cada dia mais habitual em todo o mundo. Um grande número de gols acontece por recuperação de esfera perto do gol justador, uma vez que o do Vasco contra o Fluminense, o do América contra o Cruzeiro e o do Corinthians contra o Palmeiras, todos no meio da semana.

Para funcionar muito uma marcação por pressão em todo o campo, é importante ter times compactos, goleiros e zagueiros rápidos, óptimo posse de esfera e capacidade de recuperá-la rapidamente. O Manchester City, que encantou e ganhou tantos títulos, sempre teve tudo isso por um longo tempo e, recentemente, passou a suportar derrotas seguidas, muitas goleadas. A equipe perdeu essas qualidades e jogadores importantes, principalmente Rodri, meio-campista que comandava a equipe, o gavinha entre os jogadores com passes precisos, além de ser o gatilho que iniciava a marcação por pressão.

O futebol, principalmente na Europa, evoluiu bastante nos últimos dez anos. Além da marcação por pressão, os times são mais compactos, intensos, mais capazes de proteger e testilhar com muitos jogadores e tantos outros detalhes. No Brasil, as partidas são intensas, emocionantes, mas as equipes continuam reféns dos zagueiros colados à grande espaço, dos volantes unicamente marcadores e do excesso de bolas longas, têm também sujeição do clássico meia, camisa 10, único responsável pela organização das jogadas. Isso tem mudado, lentamente.

É preciso aligeirar essas transformações, assumir mais riscos e realizar um futebol mais prazeroso, bonito e eficiente.


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