O Ministério das Relações Exteriores convocou nesta segunda-feira (27) o encarregado de negócios da embaixada americana em Brasília para prestar esclarecimentos sobre a situação dos deportados brasileiros, que estavam algemados e relataram maus-tratos na viagem.
O encarregado de negócios da embaixada, Gabriel Escobar, foi chamado ao Palácio do Itamaraty e se reuniu com a embaixadora brasileira Márcia Loureiro, secretária de Assuntos Consulares do ministério.
A embaixada dos Estados Unidos confirmou o encontro na chancelaria brasileira, mas não citou a convocação e nem o tema que foi tratado. Somente descreveu porquê uma “reunião técnica”. “O encarregado de negócios da Embaixada e Consulados dos EUA, Gabriel Escobar, participou nesta segunda-feira de uma reunião técnica com autoridades do Ministério das Relações Exteriores”, afirma o texto.
A convocação do encarregado da embaixada é uma ação diplomática que significa, na prática, que o país quer provar insatisfação e cobrar a outra pátria.
O governo brasílico já havia informado no domingo (26) que pediria esclarecimentos aos americanos, depois o registro das imagens de brasileiros algemados e dos relatos de maus-tratos.
O Itamaraty havia afirmado por meio de nota que o uso indiscriminado de algemas e correntes nos brasileiros deportados violava termos do consonância de 2018 com os Estados Unidos que preveem tratamento digno, respeitoso e humano dos repatriados. Também disse que o descumprimento do consonância era “intolerável”.
“As autoridades brasileiras não autorizaram o seguimento do voo fretado para Belo Horizonte na noite de sexta-feira em função do uso das algemas e correntes, do mau estado da avião, com sistema de ar condicionado em pane, entre outros problemas, e da revolta dos 88 nacionais a bordo pelo tratamento indigno recebido”, disse a nota publicada pelo Itamaraty.
Os brasileiros deportados dos Estados Unidos que chegaram a Minas Gerais neste sábado (25) relataram agressões, ameaças e tratamento degradante que sofreram por secção dos agentes de imigração americanos responsáveis pelo voo de volta ao Brasil.
Eles desembarcaram na noite de sábado em Confins, em Belo Horizonte. Vários dos migrantes disseram ter ficado 50 horas algemados, sem ar condicionado no voo e sujeitos a abusos dos americanos.
O governo Lula disse que reuniu informações detalhadas sobre o tratamento degradante dispensado aos brasileiros e brasileiras algemados, nos pés e mãos, em voo de repatriação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE), com rumo a Belo Horizonte. O voo fez uma paragem no aeroporto Eduardo Gomes, na capital amazonense.
Também nesta segunda-feira, Lula se reuniu com o chanceler Mauro Vieira para discutir a questão da deportação e as condições dos brasileiros nesses voos.
Um novo encontro está marcado para esta terça-feira (28) com a participação do chanceler e também do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.