Vladimir Putin e Xi Jinping reafirmaram a coligação entre a Rússia e a China em uma videoconferência poucas horas posteriormente a caudalosa posse de Donald Trump. Os líderes prometeram aprofundar os laços entre seus países, na ponta de lança da Guerra Fria 2.0 contra os Estados Unidos.
O Kremlin e a TV estatal chinesa CCTV divulgaram imagens do encontro exclusivamente nesta manhã de quinta (21). Putin disse que tinha “novos planos para o desenvolvimento da cooperação estratégica e a ampla parceria sino-russa”.
Esta é a terminologia da aliança firmada 20 dias antes do início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro de 2022, entre os dois países. Ela só não é um pacto militar, embora a cooperação na dimensão de resguardo tenha aumentado exponencialmente desde logo.
O maior resultado, mas, é econômico. Em 2021, o comércio bilateral entre os países era de US$ 147,2 bilhões. Pequim passou a ser grande comprador de commodities russas e o principal exportador de manufaturas uma vez que carros e celulares, passando a recordistas US$ 244,8 bilhões em 2024.
O ritmo da troca está, mas, desacelerando. De toda forma, ela é uma das principais linhas de oxigênio da cercada economia russa, que posteriormente três anos começou a sentir mais duramente os efeitos da falta de crédito internacional e impacto no perfil de inovação de sua indústria provocado pelas sanções decorrentes da guerra.
Mas o foco da conversa é a geopolítica. Putin disse que a relação com Pequim é um “fator meão para a segurança internacional”, um oração que vem sendo burilado desde 2022.
Xi foi na mesma risca, dizendo que “temos de estribar fortemente um ao outro e salvaguardar os interesses legítimos dos países”. “Estamos prontos para trabalhar em meio a um cenário extrínseco incerto”, afirmou, segundo a CCTV.
Com a atordoante avalanche de medidas e declarações disruptivas de Trump na segunda (20), a retórica ganha um novo fôlego.
Para países uma vez que o Brasil, o eixo pontificado pela China nas relações internacionais, que tomou para si a resguardo do multilateralismo e da autoafirmação apesar de ser liderado por uma ditadura, pode tornar-se ainda mais palatável.
Na segunda, Trump desprezou a proposta brasileira, feita em conjunto com a China, para o termo da guerra na Europa. E ainda disse que o país de Lula (PT) precisa mais dos EUA do que vice-versa. É uma verdade, mas ao lado de promessa de uma guerra tarifária na América Latina, tende a repuxar o Brasil para o lado chinês.
Negócio China-Rússia | ||
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2020 | US$ 108,2 bi | |
2021 |
US$ 147,2 bi |
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2022 | US$ 190 bi | |
2023 | US$ 240,1 bi | |
2024 | US$ 244,8 bi | |
Manancial: Alfândega da China |
Com a presidência dos Brics neste ano, o Brasil terá de fazer um jogo de estabilidade. Lula já disse que não quer disputa com Trump, mas a pressão para alinhar-se mais a Pequim será gravitacional, se não houver o tradicional recuo por secção do americano.
Já em relação a Rússia e China, cada um dos aliados está recebendo um tratamento dissemelhante por secção do americano. Xi, seu grande justador estratégico e cândido da Guerra Fria 2.0 lançada por Trump em 2017, tem sido objeto de diversos carinhos nesta largada.
O novo presidente conversou com Xi na sexta (17) e, na segunda, disse que pretende encontrá-lo pessoalmente em breve. Seu ofensivo oração de posse ignorou largamente críticas à China, com exceção de sua presença no Via do Panamá —que candidamente Trump disse que vai retomar para os EUA.
Já a Putin, que desde as nunca provadas acusações de ajuda russa na eleição de 2016 ronda Trump uma vez que um espectro de eminência parda, tem sobrado anfibologia.
Na entrevista enquanto assinava as dezenas de decretos buscando romper a ordem americana vigente, o americano disse que o presidente estava “destruindo a Rússia” por não fazer as pazes com a Ucrânia. E disse que Volodimir Zelenski, acuado em Kiev pelos recentes avanços russos, está disposto a negociar.
É Trump no modo morde e assopra, posteriormente diversas falas favoráveis à posição russa na guerra. Esta imprevisibilidade é um dos motivos pelos quais o Kremlin age de forma cautelosa, ainda que otimista, com a volta do republicano à Mansão Branca.
De todo modo, o tom do oração de posse de Trump legitima pretensões territoriais de Putin e mesmo de Xi, aí falando do caso de Taiwan. No caso europeu, o russo vem tentando ganhar o máximo de espaço no vizinho, embora não necessariamente irá se contentar com o frigoríficação da frente de guerra numa negociação de tranquilidade.