Dois dias depois o início do cessar-fogo com o Hamas na Faixa de Gaza e na sequência da posse de Donald Trump porquê novo presidente americano, o governo de Israel lançou uma grande operação militar na Cisjordânia ocupada.
A ação é centrada em Jenin, foco de grupos de resistência armada ao Estado judeu na região. Para líderes locais, todavia, o objetivo é outro: tornar a vida insustentável para os palestinos e perfurar caminho para mais assentamentos judaicos ilegais na Cisjordânia.
Segundo nota das Forças de Resguardo de Israel, a operação envolve militares, forças especiais do serviço de segurança interna Shin Bet e policiais de fronteira. O Ministério da Saúde palestino disse inicialmente que morreram ao menos 4 pessoas, e outras 35 foram feridas.
A Folha falou com um líder comunitário no campo de refugiados da cidade, que disse ter “um enxame de soldados” na rua. Ele, que pediu anonimato, disse que a operação primórdio no início da manha desta terça (21), madrugada no Brasil, com explosões. Foram empregados drones e helicópteros de ataque Apache na operação. Depois, vieram os soldados, alguns blindados e escavadeiras militares.
Segundo o Tropa israelense, a “operação antiterrorismo” irá persistir vários dias. Não é a primeira do tipo: desde 2022 houve um aumento dessas ações, com di versas mortes relatadas do lado palestino. No ano pretérito, ficou notório o caso em que soldados jogaram o corpo de um jovem morto do telhado de uma vivenda em Jenin.
O campo de refugiados da cidade, o mais importante e empobrecido dos 19 da Cisjordânia, também serve de base para lideranças de grupos porquê a Jihad Islâmica, porquê a reportagem pôde constatar durante visitas em setembro pretérito.
A terminologia em si é enganosa: trata-se de um bairro urbanizado, que se mistura à cidade, tendo desenvolvido à volta de tendas de refugiados árabes nos anos 1950.
Moram lá muro de 15 milénio dos 50 milénio habitantes de Jenin, terceira maior cidade da Cisjordânia, território que é administrado na teoria pela ANP (Domínio Vernáculo Palestina) —o rival Hamas dominava Gaza desde 2007, mas agora é incerto o que irá suceder na tira arrasada pela guerra iniciada depois que os terroristas do grupo atacaram Israel em 7 de outubro de 2023.
O tarefa de escavadeiras permite prever a repetição daquilo que a Folha viu quando esteve em Jenin: a ruína de ruas inteiras, sob o pretexto de procurar explosivos escondidos. O resultado prático é a obliteração do próprio noção de ir e vir.
O contexto agora é dissemelhante. O cessar-fogo de seis semanas em Gaza, ainda em sua lanço embrionária de troca de reféns do Hamas por prisioneiros palestinos, permite ao governo de Binyamin Netanyahu voltar seus olhos com mais atenção à Cisjordânia.
É música para os ouvidos da ultradireita que o apoia no Parlamento, mas que protesta contra o cessar-fogo por considerar que ele liberta assassinos e bloqueia a possibilidade de ocupar o setentrião de Gaza com colônias judaicas.
A situação explicita a precariedade da ANP, que os EUA querem ver reformada para cuidar também da Tira de Gaza. Os palestinos zero podem fazer contra a presença militar israelense, que vai além daquilo que foi permitido pelos acordos de paz dos anos 1990.
E há o fator Trump. Em conversa com jornalistas enquanto assinava sua sequência de decretos na noite de segunda (20), o americano disse que não “está esperançado” nas chances de o cessar-fogo sobreviver às suas três fases previstas.
“Não é nossa guerra, é deles. Não estou esperançado. Mas acho que eles estão bastante enfraquecidos do outro lado”, disse, referindo-se ao Hamas. A fala faz crescer a suspeita de que Netanyahu, um coligado que foi forçado por Trump a concordar o cessar-fogo, não pretende executar todo o harmonia mediado pelos EUA, Qatar e Egito.
Sob essa visão, depois os 98 reféns, vivos ou não, serem libertados, a guerra recomeçaria. Levante é inclusive o libido da ultradireita, das quais expoente Itamar Ben-Gvir deixou o gabinete de Netanyahu, levando consigo outros dois ministros, mas mantém o suporte parlamentar ao premiê.
Até cá, foram libertadas três reféns do 7 de Outubro e 90 prisioneiros palestinos. No termo de semana, deve ter mais trocas.