Trump realmente pode deportar 1 milhão de migrantes? – 20/01/2025 – Mundo

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Durante a campanha para as eleições presidenciais, Donald Trump prometeu que deportará em volume os migrantes que não tiverem vistos válidos para permanecer nos Estados Unidos.

Ele falou sobre o tema em diversas ocasiões e reiterou que esse será um de seus grandes projetos durante o segundo procuração.

Embora a campanha do republicano tenha respondido de diferentes maneiras à questão de quantos poderiam findar sendo expulsos, o seu companheiro de placa, o agora vice-presidente J.D. Vance, deu um número concreto durante uma entrevista à televisão ABC.

“Vamos debutar com um milhão de pessoas. Foi aí que Kamala Harris falhou e a partir daí podemos debutar a trabalhar”, afirmou o portanto senador, durante a corrida eleitoral de 2024.

Mas embora a teoria já faça secção das propostas da plataforma eleitoral de Trump —sob o lema “Deportações em volume, já!”— os especialistas alertam que expulsar tantas pessoas do país implicaria uma série de desafios jurídicos e até práticos.

Os defensores dos migrantes também alertam para o dispêndio humano significativo das deportações, com famílias separadas e prejuízo a comunidades e diversos locais de trabalho nos EUA.

Com Trump de volta à Morada Branca, ele será capaz de colocar em prática esta proposta?

Quais são os desafios legais?

De combinação com os últimos números do Departamento de Segurança Interna e do instituto de pesquisa Pew Research, muro de 11 milhões de migrantes sem visto vivem hoje no país, um número que se manteve relativamente inabalável desde 2005.

A maioria deles são residentes de longa duração: quase quatro em cada cinco migrantes sem documentos estão no país há pelo menos uma dez.

Os migrantes que estão ilegalmente no país têm recta ao devido processo, incluindo uma audiência judicial antes de serem deportados.

Assim, um aumento drástico nas deportações envolveria provavelmente primeiro a expansão do sistema judicial de transmigração, que atualmente está saturado e com atrasos na solução de casos.

A maioria dos migrantes não entrou no sistema de deportação depois serem detidos por agentes de Imigração e Alfândega (ICE), mas, sim, pela polícia lugar.

No entanto, foram aprovadas leis em muitas das principais cidades do país que restringem a cooperação entre a polícia e o ICE.

A campanha de Trump se comprometeu a tomar medidas contra essas cidades, chamadas “cidades santuário”, mas a rede de leis locais, estaduais e federais nos EUA complica a situação.

Kathleen Bush-Joseph, crítico do instituto Migration Policy, com sede em Washington, destaca que a cooperação entre os agentes do ICE e as autoridades locais seria precípuo para concretizar um programa de deportação em volume.

“É muito mais fácil para o ICE buscar alguém na prisão se as autoridades locais colaborarem, em vez de ter de precisar fazer essas buscas nas ruas”, diz Kathleen.

Porquê exemplo de quão crucial é esse paisagem, Kathleen recorda algumas declarações proferidas no início de agosto do ano pretérito por autoridades policiais do condado de Broward e Palm Beach, na Flórida, quando garantiram que não enviariam nenhum dos seus agentes para ajudar nos planos de deportação em volume.

“Há muitos outros condados que não vão cooperar com o projecto de deportação em volume de Trump. E isso torna tudo muito mais difícil”, explica.

Qualquer programa de deportação em volume também terá muitas implicações jurídicas, principalmente devido aos processos judiciais que se espera que isso gere entre organizações de direitos humanos.

No entanto, uma decisão do Supremo Tribunal de 2022 estabeleceu que os tribunais não podem enunciar liminares sobre as políticas de emprego da imigração, o que significa que permaneceriam em vigor mesmo que os desafios atravessassem o sistema jurídico.

O projeto é viável do ponto de vista logístico?

Agora, se o governo dos EUA avançasse com as medidas legais que tornam provável o projecto de deportação em volume de Trump, as autoridades ainda teriam de mourejar com enormes desafios logísticos.

Durante o procuração de Joe Biden, os esforços de deportação se concentraram nos migrantes detidos na fronteira.

Aqueles que já estavam no país e acabaram sendo deportados geralmente tinham antecedentes criminais ou eram considerados uma “prenúncio à segurança vernáculo”.

Em 2021, as polêmicas ações realizadas durante o governo de Donald Trump em locais de trabalho foram suspensas.

E, ao contrário dos detidos na fronteira, o número de deportações de pessoas detidas dentro dos EUA tem minguado na última dez, até permanecer aquém dos 100 milénio por ano. O pico, de 230 milénio/ano, aconteceu durante os primeiros anos do governo de Barack Obama.

“Para multiplicar esse número e chegar a um milhão [de deportados] num único ano, será necessário um enorme investimento de recursos que atualmente parecem não viver”, afirma Aaron Reichlin-Melnick, diretor de políticas do Parecer de Imigração dos EUA.

Por um lado, os especialistas duvidam que os 20 milénio agentes do ICE e o pessoal de espeque sejam suficientes para procurar e encontrar mesmo uma fração do número que Trump tem uma vez que mira.

Outrossim, Reichlin-Melnick salienta que o processo de deportação é longo e complicado —e que a identificação e a detenção de um migrante sem documentos é exclusivamente o primícias.

Depois, os detidos precisam permanecer em um meio de detenção ou em um programa recíproco, à espera de uma audiência perante um juiz de imigração, o que faz o sistema apinhar casos há anos sem poder encerrá-los.

Concluída esta lanço, acontece a deportação de traje, o que também requer a cooperação diplomática do país que vai receber a pessoa.

“Em cada uma dessas etapas, o ICE simplesmente não tem capacidade para processar milhões de pessoas”, diz Reichlin-Melnick.

Trump disse que envolverá a Guarda Vernáculo e outras forças militares para ajudar nas deportações.

Historicamente, as forças militares dos EUA tiveram um papel restringido, mais uma vez que um espeque na fronteira EUA-México.

Além de recontar com os militares e com a ajuda das “aplicações da lei locais”, Trump deu poucas pistas sobre uma vez que executaria o seu projecto de deportação em volume.

Numa entrevista à revista Time no início deste ano, Trump disse exclusivamente que não descartava a construção de novos centros de detenção de migrantes e que tomaria medidas para proporcionar isenção processual à polícia, para protegê-la de possíveis processos judiciais de grupos progressistas.

E acrescentou que poderá possuir incentivos para as polícias locais e estaduais que participem do projecto, e que quem não quiser “não participará dos benefícios”. “Temos que fazer isso. Não é sustentável para o nosso país.”

Durante a campanha de 2024, a BBC tentou contato com a equipe de Trump para obter mais detalhes.

Eric Ruark, diretor de investigação da NumbersUSA —organização que defende controles de imigração mais rigorosos— disse que qualquer programa de deportação dentro do país só será eficiente se for escoltado de um aumento no pessoal que controla a fronteira.

“Essa tem que ser a prioridade. Caso contrário, não haverá muito progresso nesta questão. [A falta de pessoal] é o que faz com que as pessoas cheguem à fronteira”, afirma Ruark.

Ele acrescenta que também é necessária uma ofensiva contra as empresas que contratam imigrantes indocumentados. “[Os imigrantes] vêm em procura de trabalho”, enfatiza. “E têm sucesso, basicamente porque a capacidade de monitorar e fazer executar a lei foi desmantelada.”

O dispêndio político e financeiro

Os especialistas estimam o dispêndio de manter um projecto uma vez que o proposto por Trump em muro de US$ 100 bilhões (R$ 606 bilhões).

O orçamento do ICE em 2023 para transferência e deportação foi de US$ 327 milhões (R$ 1,9 bilhão) e expulsou quase 140 milénio pessoas do país.

Segundo o projeto do novo presidente americano, milhares de pessoas que aguardam audiências de imigração poderão ser detidas.

A campanha do portanto candidato presidencial republicano planejou erigir grandes acampamentos para homiziar todos eles.

Também seria necessário multiplicar os voos para realizar as deportações, o que provavelmente envolveria o espeque da força aérea lugar.

E o que está evidente é que qualquer aumento no funcionamento dos departamentos correspondentes implica no disparo dos custos. “Mesmo uma pequena modificação custa dezenas de milhões de dólares”, afirma Reichlin-Melnick.

Outrossim, teriam de ser somados às despesas de outros esforços de controle fronteiriço que Trump prometeu: os de continuar construindo o muro na fronteira com o México, um bloqueio naval para impedir a entrada de fentanil no país e as transferências de milhares de soldados para a fronteira.

Adam Isacson, perito em transmigração e fronteiras do Escritório de Washington para a América Latina (WOLA, na {sigla} em inglês), disse que “imagens horríveis de deportações em volume” também poderiam ter um dispêndio político para Trump.

“Todas as comunidades da América veriam pessoas que conhecem e amam sendo colocadas nesses ônibus”, explica ele.

“Haveria imagens muito dolorosas de crianças chorando, de famílias, na televisão. Tudo isso é uma péssima sensação. É o que já vimos com a política de separação familiar, mas de forma amplificada”, antevê ele.

Já houve deportações em volume antes?

Nos quatro anos em que Trump ocupou a Morada Branca, muro de 1,5 milhões de pessoas foram deportadas, tanto a partir da fronteira uma vez que de dentro do país.

Durante o último ano fiscal da gestão Biden, foram expulsos mais de 271 milénio imigrantes ilegais, um novo recorde nos registros dos EUA.

Durante os dois mandatos de Obama, quando Biden era vice-presidente, mais de três milhões de pessoas foram deportadas, o que levou alguns defensores da reforma da imigração a apelidarem o portanto presidente de “deportador-chefe”.

Mas o único programa comparável ao proposto por Trump seria talvez o realizado em 1954 no contexto da chamada “Operação Wetback”, que leva o nome de um insulto geral que foi usado na quadra contra os mexicanos, e levou à deportação de 1,3 milhão de pessoas.

Embora existam historiadores que duvidam do número.

O projecto, revalidado pelo presidente Dwight Eisenhower, encontrou considerável oposição pública — em secção porque alguns cidadãos americanos também foram deportados — muito uma vez que falta de financiamento. Em 1955, ele foi interrompido.

Especialistas em imigração afirmam que o traje de se concentrar em pessoas originárias do México e a falta do devido processo lítico significa que a operação da dez de 1950 não pode ser comparada a um atual programa de deportação em volume. “Os deportados eram homens mexicanos solteiros”, observa Kathleen.

“Agora, a grande maioria dos que atravessam a fronteira nas áreas entre os postos de ingressão não são originários do México, nem mesmo do setentrião da América Medial. E isso torna muito mais difícil deportá-los”, afirma a perito. “São situações incomparáveis.”

Esta reportagem foi originalmente publicada aqui.



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