Trump chega a 2º mandato nos EUA mais forte e radical – 19/01/2025 – Mundo

Mundo


Donald John Trump, 78, retorna à Presidência dos Estados Unidos nesta segunda-feira (20). Encontrará um mundo muito dissemelhante daquele de 20 de janeiro de 2017, quando teve início seu primeiro mandato (2017-2021).

Os questionamentos à preponderância americana são mais ruidosos. Adversários uma vez que Rússia, China e Irã estão mais próximos entre si. Os EUA estão profundamente envolvidos em dois conflitos de proporções globais, na Faixa de Gaza e na Ucrânia, e os resultados deles para os seus objetivos geopolíticos não são claros. E aliados europeus agem com ainda mais desconfiança em relação ao ex-apresentador de reality show que, mais uma vez, comandará o país mais poderoso do planeta.

Mas se o mundo se tornou um lugar mais radicalizado, polarizado, perigoso e belicoso, o varão que chega novamente à Mansão Branca teve uma evolução parecida.

Deixando a Presidência sob a sombra da invasão do Capitólio, em janeiro de 2021, com um horizonte político em xeque e um Partido Republicano que parecia prestes a ejetá-lo, Trump passou quatro anos reconstruindo sua relevância. Ele derrotou, um a um, rivais e acusações na Justiça, preparando o terreno para a maior volta por cima da história política americana das últimas décadas.

Para fazer isso, alterou o seu exposição. Longe de ter levado uma gestão moderada em seu primeiro mandato, Trump apostou ainda mais nos “fatos alternativos”, sentença que não à toa foi cunhada por sua gestão. O 6 de Janeiro foi “um dia de amor”, e as pessoas que invadiram o Capitólio e pediram a cabeça de seu antigo vice, Mike Pence, eram patriotas. Imigrantes estão tornando insuportável a violência no país, ainda que segundo as estatísticas ela venha caindo desde a pandemia. O Tropa precisa agir contra o “inimigo interno” da extrema esquerda.

Trump ainda chega à Mansão Branca bem por um grupo poderoso, o de bilionários do Vale do Silício —que inclui o proprietário do X, Elon Musk. O conjunto de empresários foi indigitado pelo presidente Joe Biden uma vez que uma “oligarquia de não eleitos” no poder, algo preocupante segundo o democrata.

Uma forma de explicitar a mudança pela qual passou Trump e entender a versão dele que agora chega ao poder é confrontar os retratos oficiais de seus dois mandatos. O bilionário, tão hábil em produzir mensagens imagéticas que produziu uma quase instantaneamente ao erguer o punho depois de ser alvo de tiros, apresentou por meio de sua foto uma enunciação mais eficiente do que muitos de seus discursos.

Desapareceu o sorriso e a pose tradicional de presidentes americanos: o semblante agora é fechado, e a sobrancelha, arqueada, aparentemente numa tentativa de imitar a “mug shot” —uma vez que são conhecidas as imagens de registros dos detentos nos EUA— tirada quando ele se apresentou no caso que o acusava de tentar subverter o resultado das eleições de 2020.

Para escoltar a radicalização do líder, o movimento que o sustenta também aprofundou seus objetivos e possíveis métodos. “Muitas pessoas estiveram trabalhando nos planos de Trump para 2025 nesses quatro anos em que ele esteve fora do poder“, diz Jonathan K. Hanson, observador político e professor da Universidade de Michigan.

“E eles têm uma lista bastante clara de prioridades e políticas praticamente prontas para serem implementadas”, prossegue o professor.

“Espera-se que Trump apresente uma ordem executiva para mudar as proteções de servidores federais, ou seja, um monte de servidores públicos poderiam ser demitidos.” Isso tornaria verosímil que Trump não somente se cercasse de ministros cuja principal propriedade é a lealdade ao líder, uma vez que também que nomeasse asseclas para uma série de cargos técnicos responsáveis por decisões que, aos poucos, podem moldar uma vez que o governo americano funciona.

Esse aparelho da máquina pública teria o objetivo de viabilizar prioridades e promessas de campanha de Trump —como, por exemplo, a de realizar deportações de imigrantes em uma escala que provavelmente alteraria a economia e a sociedade americanas de maneira irreversível se levadas a cabo.

“Naturalmente isso terá consequências econômicas”, afirma Hanson. “Há empregadores que dependem da mão de obra de muitas pessoas que estão nos EUA irregularmente. E se você considerar o setor agrícola dos EUA, e quantas pessoas estão empregadas na colheita e assim por diante, haverá resistência. Uma coisa é falar sobre deportações em tamanho, outra coisa é fazer.”

“Vai levar muito tempo para o governo montar o tipo de sistema que poderia realmente promover isso”, afirma Hanson. Isso exige pessoal e cooperação de agentes estaduais, “o que não será fácil em alguns lugares”, acrescenta. “Haverá resistência.”

Ainda assim, há vantagens que Trump poderá usar a seu obséquio. O Partido Republicano, hoje controlado por ele, tem maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. Isso pode facilitar a aprovação de projetos, ainda que por uma margem apertada.

Ou por outra, Trump herda uma economia em ótimo estado de Biden, opina Hanson. “Ele pode falar mal da economia de seus predecessores, uma vez que quando disse que as coisas eram um sinistro sob [Barack] Obama. Mas isso era falso na idade e é falso agora. O desemprego é inferior, a inflação é baixa. Esse contexto é ótimo para ele.”

Quanto sucesso esse Trump que, radicalizado e fortalecido internamente, assume uma economia relativamente pujante terá em executar suas promessas provavelmente é alguma coisa que ficará simples em alguns meses.

Os efeitos sobre a democracia americana de mais um procuração do varão que já quis utilizar as Forças Armadas contra manifestantes, entretanto, devem demorar mais tempo para serem totalmente compreendidos.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *