Everton x Peterborough, na quinta-feira (9), em Liverpool, seria exclusivamente mais uma partida entre as dezenas de um dos mata-matas iniciais da Despensa da Inglaterra (FA Cup), tradicionalíssima competição que existe desde 1871 –é a mais antiga de todas no futebol.
Porém havia alguma coisa muito dissemelhante nesse jogo. A possibilidade de um jogador veterano, Ashley Young, 39, já em término de curso, enfrentar um jovem de 18 anos. Não um jovem qualquer. Tyler é seu rebento.
Não é tão vasqueiro filhos e pais estarem na mesma profissão, e isso acontece também no futebol.
Entre famosos, há/houve Pelé e Edinho, Diego Maradona e Diego Jr., Zinédine Zidane e Luka, Johan Cruyff e Jordi, Diego Simeone e Giovanni, Cesare Maldini e Paolo, Pablo Forlán e Diego, Mazinho e Thiago/Rafinha.
Só que pais e filhos atuarem juntos, seja no mesmo time ou uma vez que adversários, em uma partida –não uma partida familiar ou entre amigos, aquela de término de semana, em meio a um churrasco, mas uma válida por competição profissional– é extremamente atípico.
Lembro-me de Rivaldo, vencedor do mundo com a seleção brasileira na Despensa de 2002 (Coreia/Japão), ter atuado com Rivaldinho, 18 anos à idade, pelo Mogi Mirim. Foi no Campeonato Paulista de 2014, antes de o craque, que estava com 41 anos, anunciar o fecho da curso.
Recentemente, em outubro do ano pretérito, no basquete, o superastro LeBron James, com 39 anos, jogou ao lado do filho Bronny, 20, pelo Los Angeles Lakers, contra o Minnesota Timberwolves, na NBA.
É sempre uma grande emoção quando isso acontece, pai e rebento sorriem, abraçam-se, choram. Um momento muito peculiar, que deixa também emotivo o público, seja no estádio/ginásio, seja fora, onde uma tela esteja exibindo o facto.
Assim, era muito esperado que no confronto no Goodison Park Ashley e Tyler se tornassem a primeira dupla pai-filho a duelarem na história da FA Cup.
Isso dependeria dos treinadores: o interino Leighton Baines (Everton) e Darren Ferguson (Peterborough).
Ashley atualmente é lateral recta. No final da primeira dezena deste século, era atacante (de qualidade, com muita velocidade e fôlego), defendendo o Aston Villa. Vestiu também as camisas de Watford, Manchester United e Inter de Milão. Pela seleção inglesa, foram 39 jogos.
O meia Tyler ainda “engatinha” no clube da terceira subdivisão. Integrado nesta temporada à equipe principal, antes do esperado duelo com o pai tinha estado em campo em uma única partida, uma vez que substituto, pelo Troféu EFL, a terceira despensa em preço na Inglaterra.
Os dois começaram na suplente. Ashley é titular, mas, em embates das etapas iniciais das copas, os times da primeira subdivisão (uma vez que o Everton) costumam poupar os principais jogadores.
Na metade do segundo tempo, com o Everton ganhando por 1 a 0, Baines inseriu Ashley no jogo. Faltava Ferguson fazer o mesmo com Tyler.
ó que não aconteceu, o que gerou um sentimento de frustração nos fãs de futebol e na mídia. A história não foi feita, e uma novidade chance sabe-se lá quando voltará a ocorrer.
Depois do jogo, que terminou 2 a 0, o treinador do Peterborough teve de explicar por que não chamou Tyler.
“Por mais que eu quisesse que Tyler entrasse, com 1 a 0 tive que colocar um atacante. Tenho que tentar o melhor para o meu time. Não dava para ser bom.”
Uma pesquisa no site da BBC mostra pedestal à decisão de Ferguson: 69% dos leitores que votaram consideram que ele agiu corretamente. Eu sou um dos 31% que discordam. Queria que o emotivo, desta vez, tivesse suplantado o racional.
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