O cessar-fogo negociado por Israel e Hamas traz refrigério para Gaza, que viveu quase 500 dias sob intenso bombardeio de Tel Aviv. Se o harmonia for respeitado, a população desse território palestino estará livre, por ora, das explosões e violentas incertezas que a marcaram a sua rotina.
É um refrigério, porém, com muitas ressalvas. A campanha israelense contra Gaza deixa feridas e cicatrizes. A devastação é tamanha que, segundo a ONU, pode ter rebaixado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Faixa de Gaza para os níveis de 1955, apagando 70 anos de progresso.
A crise começou em 7 de outubro de 2023, quando a partido palestina Hamas realizou um atentado terrorista contra o sul de Israel, deixando 1.200 mortos e sequestrando murado de 250 pessoas. O revide de Israel deixou, desde logo, mais de 46 milénio mortos e 110 milénio feridos no território palestino.
Gaza é um território pequeno e estreito, com extensão equivalente a um quarto do município de São Paulo, o que contribuiu para a dimensão do estrago. Quase 2 milhões de palestinos deixaram suas casas durante a crise, mas não encontraram onde se proteger dos bombardeios de Israel.
Agora que podem retornar para os seus lares, palestinos terão de mourejar com o indumentária de que provavelmente já não existem mais. Segundo estudos preliminares com base em imagens de satélite, murado de 60% das construções e 68% das estradas da fita foram danificadas ou destruídas.
Gaza é, hoje, um campo de milhões de toneladas de escombros, segundo as autoridades palestinas. Para remover os detritos e reerguer a infraestrutura, serão necessárias coisas básicas uma vez que cimento. Israel hoje controla a ingressão de materiais e ajuda humanitária por ar, mar e terreno.
Fica, nesse sentido, a pergunta: quem vai remunerar pela restauração do território? No pretérito, organizações humanitárias e governos da região, em privativo do Golfo, contribuíram com a missão. Israel acusa o Hamas de ter desviado esses fundos para se armar em vez de para reconstruir Gaza.
Será difícil estabelecer prioridades. Há o dano à infraestrutura, incluindo saneamento e eletricidade, que já eram precários mesmo antes dos bombardeios. Aliás, segundo a ONU, quase 95% das escolas foram atingidas por disparos israelenses, o que afeta toda uma geração.
Todas as universidades de Gaza foram destruídas também, no que ativistas de direitos humanos descrevem uma vez que um escolasticídio, uma estratégia deliberada de impedir a produção de conhecimento. Um jovem palestino de Gaza não tem, hoje, onde cursar ensino superior.
Houve também dano extenso à estrutura médica do território. A ONU afirma que exclusivamente 17 dos 36 hospitais de Gaza funcionam, e de maneira parcial. Há carência de suprimentos, e médicos dizem que realizam suas cirurgias, inclusive em crianças, sem empregar anestesia.
A prelo internacional não pôde entrar em Gaza para conferir muitas dessas informações. A maior segmento do que se sabe é resultado do trabalho de jornalistas palestinos. Há menos deles, no entanto, uma vez que consequência dos bombardeios. Ao menos 204 jornalistas foram mortos.
Gaza demonstrou resiliência no pretérito. Houve outros conflitos nas últimas décadas, ainda que em menor graduação. Palestinos foram capazes de se reerguer. O repto que enfrentam agora, porém, testa seus limites e pode catalisar novas configurações —sociais, econômicas e políticas.
A pergunta, agora, é o que vai intercorrer com o Hamas. Israel justificou toda a devastação humana e material uma vez que uma maneira de varar a partido radical. Tel Aviv conseguiu, de indumentária, embranquecer uma importante parcela da liderança, incluindo Yahya Sinwar, morto em 16 de outubro.
Organizações uma vez que o Hamas, porém, dependem de narrativas, com as quais radicalizam as suas populações. Nesse sentido, Israel está fornecendo um motivo suasivo para que essa narrativa siga adiante. Sem a desarticulação dos problemas de base, leste cessar-fogo terá vida curta.