Posse de Nicolás Maduro completa farsa da Venezuela – 11/01/2025 – Sylvia Colombo

Mundo


O dia em que Nicolás Maduro tomou posse para seu terceiro procuração ilegítimo também é uma data que remete a outro mau momento em um país que também vem sofrendo as agruras de um regime ditatorial, a Nicarágua.

Foi em 10 de janeiro de 1978 que a ditadura de Anastasio Somoza mandou matar o jornalista Pedro Joaquín Chamorro Cardenal, logo aos 54 anos. Sua morte acelerou a revolta popular contra o regime e instou a união de forças distintas da sociedade, incluindo o Tropa, a Igreja Católica e a logo guerrilha anti-imperialista Frente Sandinista de Libertação Pátrio a combater o regime. A união funcionou e Somoza foi derrotado.

Também num 10 de janeiro, o de 2007, tomou posse —para até agora não mais deixar o poder— outro ditador, Daniel Ortega. Desde logo, embora realize eleições de frente, o ex-militante sandinista não somente traiu a causa a que tinha se dedicado uma vez que criou uma ditadura ainda mais cruel que a venezuelana e a cubana.

Repressão desenfreada a qualquer tipo de revelação, tortura, cassação de cidadania, confisco de bens e expulsão do país de opositores —sejam eles desconhecidos, ex-companheiros de luta e mesmo familiares— são moeda generalidade em seu regime.

Quando Somoza caiu, criou-se uma reunião constituinte e, por término, uma Missiva, em 1987, com muitas das ideias que haviam sido defendidas por Pedro Joaquín Chamorro Cardenal antes de sua morte. Entre elas, a de que a Nicarágua deveria ser uma democracia com eleições livres, sem a possibilidade de reeleição, com separação de poderes e fortalecimento das instituições. Mais, teria um foco peculiar em reformas que visavam a justiça social, num dos países que, infelizmente, até hoje é dos mais pobres da região.

Tudo isso caiu por terreno. O próprio Ortega se encarregou de enterrar esse sonho e o desrespeitou mais uma vez indo à novidade posse de Maduro —ao lado do líder cubano, Miguel Díaz-Canel, os únicos chefes de Estado presentes.

Nos últimos anos, a memória de Pedro Joaquín Chamorro tem entusiasmado a oposição ao regime orteguista. Vários dos membros de sua família foram presos, e quem lhe deu o golpe mais duro até hoje foi justamente a viúva do jornalista morto, Violeta Chamorro, que venceu as únicas eleições livres que a Nicarágua teve desde a revolução, em 1990.

Hoje, um de seus filhos tomou a profissão do pai e a exerce do exílio. Carlos Chamorro é diretor do principal jornal de oposição, o Secreto, cuja sede fica na Costa Rica, justamente por conta da repressão.

A novidade posse de Maduro aproxima a Venezuela do regime orteguista. Enfim, até cá, havia na Venezuela pelo menos alguma ar democrática, com o saudação a um calendário eleitoral, embora com resultados manipulados. Em 2015, a Venezuela chegou mesmo a ter uma eleição legislativa que foi vencida pela oposição.

Mas não por muito tempo. Logo o regime deu um jeito de moldar um órgão, a Tertúlia Constituinte, que não fez Constituição alguma, mas, sim, na prática, substituiu o Legislativo opositor. Até cá, a Venezuela também fingia importar-se com o que dizia a comunidade internacional, deixava jornalistas entrarem (a Nicarágua impede) e ia a mesas de diálogo e negociação. Não respeitava nenhuma decisão, mas aparentava que o faria.

A partir da mais recente fraude e do circo da posse do último dia 10, a Venezuela madurista fica mais parecida com a Nicarágua de Ortega.


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