Em 18 de dezembro de 2022, dois dias antes da fenda da Copa do Mundo, a Fifa (Federação Internacional de Futebol) surpreendeu muitos turistas que se deslocaram ao Qatar ao anunciar que não seria permitida a venda de cerveja dentro dos estádios do Mundial e em seus arredores.
A decisão tomada às vésperas do torneio causou prejuízo à Budweiser, uma das principais patrocinadoras do torneio, obrigada a recolher os produtos com álcool, que seriam comercializados nas arenas três horas antes e uma hora depois de cada jogo.
A obreiro de cerveja pagou US$ 75 milhões (R$ 405 milhões, na cotação da era) para patrocinar o evento. Torcedores estrangeiros que viajaram ao Qatar se decepcionaram com o veto à cerveja, tema que preocupava a Fifa desde o proclamação do país do Oriente Médio uma vez que anfitrião da Despensa.
A experiência é vista pela entidade uma vez que uma prelecção e voltará a ser debatida nos próximos anos com a escolha da Arábia Saudita para receber a Despensa do Mundo de 2034, tornando o reino a segunda país islâmica a sediar o maior evento de futebol.
O país, considerado mais restritivo do que o Qatar, é regido por leis islâmicas, que proíbem o consumo de álcool. De conciliação com a constituição saudita atual, as penalidades para quem desrespeitar a regra podem incluir multas, prisão ou deportação para expatriados. Esse tipo de consumo foi proibido no país pelo rei Ibn Saud em 1952.
Uma rara licença foi anunciada em 2024, quando o governo indicou a fenda de uma loja na capital Riad para a venda de álcool a um público restrito, formado por funcionários diplomáticos. A intenção era “combater o transacção ilícito de produtos e bens alcoólicos recebidos por missões diplomáticas”, informou o CIC (Meio de Informação Internacional).
Mas isso não significa que a Despensa do Mundo de 2034 também terá uma permissão privativo. Questionadas pela Folha, a Fifa e o governo saudita não se pronunciaram sobre o tema, mas, de conciliação com o jornal inglês The Guardian, não haverá a venda de bebidas alcoólicas nos estádios e seus periferia durante o megaevento.
Com quase uma dez até a realização do Mundial, a questão ainda pode ser revista, principalmente quando terminar o atual contrato da entidade máxima do futebol com a AB InBev, dona da marca Budweiser, em 2026. A empresa quer ter mais transparência sobre o cenário para 2034 antes de discutir uma renovação.
Todavia, declarações recentes do ministro dos esportes da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Turki Al-Faisal, indicam que o país não deve ceder a pressões externas. Em entrevista à Sky News, ele afirmou que seria islamofobia obrigar a Arábia Saudita a mudar suas restrições.
“Se você é contra isso, não deve aproveitar sua vinda [a Arábia Saudita]. Se não consegue respeitar essa regra, portanto, não venha. É simples assim”, declarou o ministro.
Nos últimos anos, a Arábia Saudita passou a investir cifras milionárias para sediar eventos esportivos, uma vez que corridas de F1, eventos importantes do rodeio de tênis, lutas de boxe e até decisões de campeonatos europeus, uma vez que a Supercopa da Espanha e a Supercopa da Itália. Em nenhum deles são permitidos a venda e o consumo de álcool. Na F1, por exemplo, em vez do tradicional champanhe, os pilotos celebram suas vitórias no pódio com chuva de rosas.
Entidades que defendem os direitos humanos, uma vez que a organização Human Rights Watch, acusam o país de usar o esporte para tentar reconstruir sua reputação, o chamado “sportswashing”, utilizado por governos, sobretudo autocratas, para mudar sua imagem perante a comunidade internacional.
A própria candidatura da Arábia Saudita para receber a Despensa do Mundo faz secção do programa Vision 2030, que tem o objetivo de promover um “projeto de reforma econômica e social transformadora” para penetrar o país ao mundo. O objetivo principal, porém, é variar a economia, baseada atualmente na produção de petróleo e gás.
A antropóloga Francirosy Campos Barbosa, que concluiu um pós-doutorado em teologia islâmica pela Universidade de Oxford, afirma que, mesmo com esse projeto, a Arábia Saudita não deve mudar sua posição em relação ao consumo de álcool.
“Para além das questões religiosas e éticas presentes no Alcorão e nos Hadiths, a proibição do consumo de álcool no islã também reflete valores sociais que buscam prevenir conflitos, crimes e desigualdades frequentemente agravados por seu uso”, diz a antropóloga.
A pesquisadora, no entanto, acredita que possam ser criados o que chamou de “bolsões ocidentalizados”, onde poderia viver uma exceção.
“Se a Arábia Saudita está se permitindo fazer uma Despensa do Mundo e a Fifa está aceitando e já tem a experiência do Qatar, a gente tem que olhar para os dois lados. Haverá certamente algumas concessões”, afirma.
Em 2014, ao realizar a Despensa do Mundo no Brasil, a Fifa se impôs, passando por cima de leis estaduais uma vez que a paulista, que proíbe o a venda de álcool nas arenas esportivas uma vez que medida para reduzir a violência no futebol.
Oito anos depois, em 2022, foi a entidade máxima do futebol que teve de ceder à pressão do governo do Qatar e concordar o veto à cerveja. Não será surpresa, portanto, uma novidade rota da entidade na queda de braço com a Arábia Saudita.