Neste 2025, desejo ao mundo esperança – 05/01/2025 – Bianca Santana

Mundo


Trump presidente. Genocídio em Gaza. Guerras no Sudão, na Etiópia, na Ucrânia, em Mianmar, no Saara Ocidental. Tensão agravada em Moçambique e na Venezuela. Ataques às mulheres com o deslocamento do recta ao monstruosidade da saúde pública para uma diminuída “tarifa de costumes”. Assassinatos de pessoas negras praticados ou negligenciados pelo Estado. Falta de estratégias de adaptação para nos proteger das emergências climáticas. Aprofundamento da degradação ambiental. Uma maioria de pessoas empobrecidas, vulnerabilizadas e atacadas em seus direitos fundamentais em todo o mundo. Feliz 2025!

Ao chafurdar na desesperança, ouço Tamara Klink indignada. Mais ou menos porquê ela fez no Festival Literário de Itabira, na noite de 30 de outubro do ano pretérito, quando quebrou o protocolo e, da plateia, interrompeu a conversa entre Morgana Kretzmann, Valter Hugo Mãe e Sérgio Abranches. “Vocês não podem falar desse jeito, porquê se não tivesse saída”, foi o que guardei, sem tomar nota das palavras exatas. “Há muitos jovens cá. A gente precisa tutelar a vida humana e a biodiversidade enquanto elas existirem.”

Debatedores e público concordaram com Tamara, muito aplaudida. E eu, mais uma vez agradeço à sabedoria condensada nos 27 anos da navegadora e escritora tão espontânea e rútilo. Mesmo que jovens não leiam o jornal, não se pode bazofiar desesperança.

Em novembro de 2025, sediaremos a COP30, em Belém. A Amazônia —indígena, quilombola, da maior floresta tropical do mundo— vai homiziar a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. Precisamos de esperança e vontade para empuxar o governo brasílio a liderar debates e acordos que resultem, efetivamente, na preservação ambiental e do clima.

No final de 2024, o governador de São Paulo foi pressionado a recuar em seu posicionamento contrário ao uso das câmeras corporais por policiais militares, repercutiu mal a exacerbação da violência policial no estado.

Oxalá a indignação e a pressão popular cresçam para que ele e todos os governadores do país sejam convocados a executar a Constituição, garantindo a segurança de toda a população, não corrompendo suas funções ao travar uma guerra interna contra pessoas negras. Mas para organizar a indignação porquê pressão política é preciso estratégia, e também esperança.

Há 50 anos, mulheres do Saara Ocidental trabalham voluntariamente na União de Mulheres Saarauís pela libertação e soberania de seu país. Há brigadas para encontrar e desativar minas explosivas no deserto, equipes de informação dedicadas a publicizar as violações a que estão submetidas pelo reino do Marrocos, grupos de instrução popular.

Ao testar por poucos dias as condições precárias do campo de refugiados onde vive a maior secção delas —com entrada restrito a chuva, víveres, bens de consumo— perguntei muitas vezes qual o maior libido de cada uma, de uma perspectiva individual, familiar. “Não há vida melhor para nenhuma de nós sem a soberania do nosso país”, ouvi inúmeras vezes, em diferentes palavras.

Algumas dessas mulheres nasceram no campo de refugiados e nunca puderam visitar o território ocupado onde está secção de sua família, ou se beneficiar de políticas públicas financiadas pelas riquezas de sua terreno. Em meio a tanta falta, compartilharam comigo esperança.


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