O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou na sua rede social, Truth Social, um vídeo em que um palestrante xinga o líder de um dos maiores aliados internacionais de seu país —Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, com quem o republicano tem uma relação amigável, ainda que marcada por idas e vindas.
O texto que acompanhava a postagem, publicada originalmente pelo perfil “Wall Street Apes” no X, não tratava, porém, de Netanyahu, e sim do papel da CIA, sucursal de perceptibilidade dos EUA, na tentativa de derrubada da ditadura de Bashar al-Assad no início da guerra social na Síria, sob o mando de Barack Obama (2009-2017).
É leste o ponto discutido nos primeiros segundos do vídeo. Só depois o palestrante em questão, Jeffrey Sachs, professor de economia da Universidade Columbia, começa a discorrer sobre o premiê israelense, ao comentar a invasão do Iraque pelos EUA em 2003.
“Da onde veio aquela guerra?”, pergunta Sachs, retoricamente, no vídeo. E responde: “De Netanyahu”. O líder, que acumula 17 anos não consecutivos no poder de Israel, também era primeiro-ministro do país na estação.
“Netanyahu tem, desde 1995, a teoria de que a única maneira de se livrar do Hamas e do Hezbollah é derrubando os governos que os apoiam. Isso significava Iraque, Síria e Irã”, afirma Sachs. “Ele nos envolveu em guerras intermináveis” e “as coisas sempre saíram da maneira uma vez que ele queria”, continua o professor. “Ele é um grande e tenebroso fruto da puta.”
Não está evidente qual era o objetivo de Trump ao compartilhar a publicação. O presidente posta quase ininterruptamente na plataforma, muitas das postagens consistindo em vídeos e imagens críticos a gestões democratas.
De todo modo, o vídeo pode afetar as relações do presidente eleito, cuja posse está marcada para o próximo dia 20, com o maior coligado militar americano no Oriente Médio. O jornal israelense Times of Israel afirmou nesta quinta-feira (9) que, segundo um assessor de Netanyahu, é improvável que ele viaje para a cerimônia, uma vez que esperado anteriormente.
O incidente ainda se dá em meio à tentativa dos EUA de mediarem, junto com Egito e Qatar, um cessar-fogo entre Israel e Hamas capaz de libertar os reféns que, capturados pelo grupo terrorista no mega-ataque de 7 de outubro de 2023, continuam presos na Faixa de Gaza.
Estima-se que 96 pessoas sigam nas mãos da partido, sendo somente 61 delas vivas —nesta quarta-feira (8), o Tropa israelense anunciou ter resgatado o corpo de mais um refém em um túnel na cidade de Rafah, no sul do território palestino.
Trata-se de uma reviravolta inesperada para o que parecia ser uma novidade era de suporte incondicional entre Washington e Tel Aviv. A vitória de Trump nas eleições presidenciais em novembro representou praticamente um salvo-conduto para Netanyahu, que vinha sofrendo pressão por parte do governo Joe Biden para sofrear a crise humanitária causada por seus ataques a Gaza —apesar de manter o suporte militar.
Aliás, o republicano indicou para a sua gestão uma série de nomes favoráveis às políticas da coalizão que sustenta o primeiro-ministro, descrita uma vez que a “mais à direita da história de Israel”.
Marco Rubio, senador pela Flórida que liderará o Departamento de Estado, é contra o cessar-fogo com o Hamas e já defendeu que Israel exterminasse todos os elementos do grupo terrorista. Elise Stefanik, deputada por Novidade York que assumirá a representação dos EUA na ONU, chamou o organização multilateral de “esgoto do antissemitismo”. E Mike Huckabee, horizonte mensageiro americano em Tel Aviv, rejeita os termos uma vez que Cisjordânia e palestinos.
O próprio Trump disse, no início do mês pretérito, que o Hamas “pagaria caro” se não libertasse os reféns que sequestrou em seu mega-ataque de 7 de outubro de 2023 até sua cerimônia de posse.