Incêndios florestais são ameaça crescente para as cidades – 09/01/2025 – Ambiente

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Com diversos incêndios florestais à sua volta, a cidade de Los Angeles, na Califórnia, é o mais recente na série crescente de centros urbanos ameaçados de ruína pelas chamas descontroladas, à medida que as temperaturas globais sobem.

Alimentados por ventos fortes, os incêndios se alastraram por áreas densamente povoadas, causando pelo menos cinco mortes e destruindo milhares de edifícios.

No verão de 2024 no hemisfério Setentrião (de junho a setembro), colunas de fumaça negra dominavam o céu por trás do icônico Partenon, enquanto o queima grassava pelos subúrbios de Atenas. Na mesma estação, um incêndio consumiu os bosques do Monte Mario, no núcleo de Roma.

De Halifax, no Canadá, à Cidade do Cabo, na África do Sul, à japonesa Nanyo City e agora Los Angeles, os incêndios forçaram milhares de pessoas a deixar suas casas nos últimos meses. As imagens dessas catástrofes tornaram-se um símbolo grandiloquente e uma recado de que, não mais confinados a distantes áreas rurais ou agrestes, agora os incêndios florestais estão também tendo enorme impacto sobre as metrópoles.

As mudanças climáticas globais estão elevando as temperaturas e prolongando as temporadas de seca, criando assim condições em que incêndios florestais queimam mais rápido, por mais tempo e com violência maior.

Segundo dados recentes da ONG de pesquisa global World Resources Institute, os incêndios florestais atuais sacrificam duas vezes mais árvores do que duas décadas detrás. O propagação das cidades em todo o mundo também acentua sua vulnerabilidade ao queima.

“Elas estão se expandindo, e é sobretudo esse fenômeno que aumenta o risco de os incêndios florestais afetarem a população e as casas”, confirma Julie Berckmans, técnico em avaliação de risco climatológico da Dependência Europeia do Meio Envolvente (AEA).

WUI, uma interface urbano-agreste perigosa

O termo técnico para as zonas em que edifícios e vegetação silvestre se confrontam é “wildland urban interface” (WUI). Um estudo recente do Meio Pátrio Americano de Pesquisa Atmosférica revelou que a WUI global cresceu 24% entre 2001 e 2020, cabendo à África a maior taxa de expansão.

Calcula-se que isso implicou 23% mais incêndios florestais nessas regiões, e um aumento de 35% da dimensão devastada por eles. Dois terços da população mundial exposta ao queima florestal vive nessas zonas fronteiriças entre paisagem urbana e bravio.

Alexander Held, especialista-chefe do Instituto Florestal Europeu, destaca que vídeos de Atenas, em meados de 2024, demonstram com que facilidade o queima se alastra nessas zonas. “A gente vê muita interface urbano-silvestre, onde a mata realmente cresce pelos jardins adentro, e neles está um monte de material inflamável, facilitando muito que o queima avance até a moradia.”

O orfandade rústico crescente, sobretudo no Mediterrâneo, também contribui para o risco de incêndios, pois os terrenos ficam sem cultivo nem vigilância. Assim, focos que antes seriam detectados e rapidamente debelados passam a ameaçar as cidades, explica Held.

E nem é preciso as chamas chegarem até as divisas urbanas para que o fenômeno se torne uma ameaço à população, já que a fumaça atravessa centenas, por vezes até milhares de quilômetros. Em 2023, Novidade York registrou um de seus níveis máximos de poluição atmosférica devido ao queima florestal no Canadá.

Clima, secas e planejamento urbano

“Cidades em regiões de clima subtropical sedento, porquê Califórnia e o Mediterrâneo, são principalmente sujeitas a incêndios florestais”, explica Alexandra Tyukavina, geógrafa da Universidade de Maryland, nos EUA.

“Elas são realmente vulneráveis, por terem atravessado secas nos últimos anos, e em universal zonas mais secas são mais expostas ao queima, tanto historicamente porquê na presença da mudança climática.” A catástrofe de Atenas sucedeu-se ao inverno e ao junho-julho mais quentes já registrados na Grécia.

“Subúrbios extensos, porquê nos Estados Unidos, são outro fator de risco”, prossegue Tyukavina. No Japão, por exemplo, vê-se um tipo de planejamento urbano completamente dissemelhante: “Lá, as cidades são mais compactas e as áreas naturais são separadas. Logo existe menos dimensão de WUI.”

Segundo uma pesquisa de 2022, publicada pela revista Nature, a Europa e a América do Setentrião apresentam a maior taxa de incêndios florestais dentro de zonas de interface urbano-agreste.

Municipalidades e população unidos contra incêndios

A termo de reduzir o risco de incêndios devastadores, é preciso maior financiamento para sistemas de alerta precoce, mais orientação para gestão florestal e um aumento da conscientização pública, já que a maior segmento dos desastres segmento de atividades humanas, segundo Berckmans, da AEA. “Planejamento espacial também pode ajudar a reduzir a expansão urbana”, acrescenta.

O porta-voz da Percentagem Europeia Balazs Ujvári observa que dois aviões de combate ao queima, dois helicópteros e quase 700 bombeiros de todo o conjunto foram mobilizados para testemunhar as forças locais no combate aos incêndios do verão de 2024 em Atenas.

Porém Held insiste na urgência de encorajar mais medidas de prevenção entre a população. Elas incluiriam: evitar espécies inflamáveis nos jardins, limpar as calhas dos telhados, liberar espaço em torno dos edifícios e varar devidamente os dejetos de jardinagem a termo de não constituírem combustível para incêndios futuros.

“A gente vê imagens de lugarejos e cidades inteiras aniquilados pelo queima, e no meio deles, algumas casas sobrevivem, aparentemente intocadas, ainda com um jardim verdejante em volta. Essas são provas de que comportamento conscientizado funciona, sim.”

As cidades deveriam manter, em seus confins, áreas livres de galhos, mato e folhas que peguem rapidamente queima quando secos, prossegue o técnico do Instituto Florestal Europeu. “Algumas municipalidades empregam pastores para preservar uma zona tampão desmatada: suas ovelhas e cabras devoram todas as vegetais mais combustíveis, deixando as árvores maiores.”



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