A vice-presidente do Equador, Verónica Abad, disse no sábado (4) que assumiria o poder neste domingo (5), quando começa a campanha para as eleições de fevereiro. O proclamação foi feito à revelia do presidente, Daniel Noboa, candidato à reeleição e com quem Abad rompeu politicamente.
“Assumirei a Presidência (…) por procuração expresso na lei”, disse Abad. “Devo atender a esta responsabilidade enquanto o presidente Daniel Noboa participa porquê candidato presidencial na campanha eleitoral, cuja candidatura é firme e não pode ser renunciada.”
De harmonia com o governo, porém, Noboa não é obrigado a tirar licença para a campanha por não se tratar formalmente de uma reeleição, já que ele venceu o pleito antecipado em 2023 para completar o procuração do ex-presidente Guillermo Lasso, que dissolveu o Congresso e convocou a ida às urnas para evitar uma destituição em meio a um julgamento político por depravação.
Em nota, as Forças Armadas equatorianas afirmaram que respeitam as leis e a domínio de Noboa porquê dirigente de Estado legítimo.
A Constituição permite a reeleição uma única vez e, em caso de privação, o presidente é substituído pelo vice. As autoridades devem tirar licença para fazer campanha.
No dia 23 de dezembro, Noboa havia nomeado sua vice porquê conselheira temporária na embaixada equatoriana na Turquia no dia 27, em uma ação que Abad considerou porquê uma tentativa de bani-la do país. Ela se negou a se apresentar no prazo nomeado, o que o governo classificou porquê desacato.
Na quinta-feira (2), Noboa renomeou a sua ministra do Planejamento, Sariha Moya, porquê vice-presidente interina até 22 de janeiro ou até que Abad se apresente na embaixada na Turquia.
A relação entre presidente e vice está sob desgaste desde a campanha vitoriosa em outubro de 2023. Ao longo do ano, deteriorou-se, com acusações de deslealdade feitas por Abad em maio. Segundo ela, os dois não se falavam desde a eleição. Em agosto, ela denunciou Noboa por suposta violência política, ato chamado de tentativa de golpe de Estado por apoiadores do presidente.
O Equador enfrenta uma série de turbulências sociais nos últimos anos, com o fortalecimento da presença do tráfico de cocaína no país, o aumento de índices de crimes violentos e rebeliões no sistema prisional.
Desde 2019, mais de 600 pessoas morreram em 14 massacres em penitenciárias no país, segundo o Comitê Permanente pela Resguardo dos Direitos Humanos. O último deles, em novembro, deixou 15 mortos.
A taxa de homicídios no Equador passou de 6 por 100 milénio habitantes em 2018 para um recorde de 47 por 100 milénio em 2023.
A crise de segurança pública foi um dos motivos para a realização de protestos contra Noboa em outubro. Os manifestantes também exigiram uma solução para os apagões que assolaram o país.
O Equador também se envolveu em um desgaste internacional em seguida a invasão do prédio da Embaixada do México em abril de 2024, por militares e policiais, para prender o ex-vice-presidente Jorge Glas, que havia recebido asilo político no lugar em 2023 em seguida ser sentenciado por depravação.
Em resposta, o logo presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador rompeu relações diplomáticas com Quito. A ação violou tratados internacionais e foi repudiada pelos governos de países porquê Brasil e Argentina.
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, propôs, por intermédio dos governos da Colômbia e do Brasil, trocar a liberdade de Glas, que foi vice durante o governo do coligado de Caracas Rafael Correa (2007-2017), pela de seis opositores do chavismo refugiados na embaixada argentina em Caracas.
O lugar está sob segurança do Brasil desde que Maduro rompeu relações com o país governado por Javier Milei. O governo equatoriano confirmou a recusa à proposta em dezembro.