Bons caminhos em 2025! – 25/12/2024 – É Logo Ali

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Enquanto a família engole os restos do peru de anteontem, amarga a ressaca dos muitos brindes ao bom velhinho da Lapônia, e fofoca pelo zap sobre a pendenga anual com o cunhado e o indefectível tio do pavê, uns e outros esquisitos nos pegamos pensando que seria tão, mas tão mais gostoso estar saboreando um miojo com salsicha em lata em qualquer quina perdido desse mundão dos deuses. Do fundo do baú, podemos até ouvir a mochila bufar de impaciência pela próxima trilha. No armário, as botas surradas olham torto para o sapato de saltinho que infernizou minha ceia. Na prateleira do basta, o saco de dormir ameaço esvaziar pesadelos à trilheira de meia tigela, quase uma impostora que ganha a vida se locupletando nas façanhas alheias.

Para o generalidade dos mortais, que sonha com cada feriado prolongado para se esparramar na praia mais badalada, repleta de caixinhas de som, baldinhos de areia e queijinhos coalhos na brasa, ou tal qual ideal de férias é se aquartelar a bordo de um transatlântico mastodôntico referto de mordomias, all-inclusive e muito engov, sonhar com os perrengues do mato pode toar porquê a mais pura sintoma de masoquismo.

Mas o vestimenta é que se você já…

…acordou no meio da madrugada numa caverna gelada para ver que seu braço foi mordido por um morcego, forçando uma corrida detrás da vacina antirrábica;

…se deitou no meio da trilha empoeirada jurando que nunca mais se pega nessa encrenca, para daí a pouco seguir em frente desafiando as lombares, as caimbras e os piolhos dos albergues no Caminho de Santiago;

…passou a noite em simples sob chuva em plena floresta amazônica xingando à luz do Kindle os bugios que não param de urrar do basta das árvores, incomodados pelas criaturas alienígenas embrulhadas em seus mosquiteiros;

…tremeu de insensível toda uma noite em pleno Salar de Uyuni embrulhada com todas as roupas de sua bagagem porque fora do hotel de sal sem aquecimento fazia -15° e a sucursal boliviana havia alugado um saco de dormir que não servia nem para metade disso;

…subiu ao basta do monte Roraima e ficou quicando entre as partes brancas do tabuleiro daquela paisagem lunar tentando se convencer de que aquela formação rochosa lá adiante parece mesmo um macaco chupando sorvete…

…gelou a garrafa de espumante pendurada de uma cordinha na chuva gelada de uma praia deserta, para facultar ao ano novo em grande estilo…

…você pode proferir que tem histórias para recontar. E a você, leitor, só posso proferir que, neste ano que se anuncia, espero ouvir (e espalhar) muitos de seus perrengues. Porque perrengue de reverência, dos bons, é aquele que compartilhamos às gargalhadas com os amigos ao volta de uma fogueira. Portanto, que venha 2025 e que todos os perrengues sejam só aqueles dignos de saudades, suspiros e risadas.

Nos vemos no ano que vem!


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