Como um deficiente visual se prepara no fisiculturismo? – 02/01/2025 – Músculo

Esporte


É difícil imaginar um fisiculturista que não olhe para o próprio corpo durante uma preparação. “Será que vai dar tempo?” e “não estou tão muito assim”, por exemplo, são frases recorrentemente ditas por atletas na reta final antes do campeonato. Carlos Eduardo Fantini Martins, por sua vez, é uma exceção a essa regra.

Portador da retinose pigmentar – doença ocular que desculpa a degeneração da retina – e do ceratocone – doença ocular que altera a forma da córnea -, o desportista de 30 anos experienciou em 2024 uma preparação na qual não pôde examinar seu próprio físico.

“Poder fazer o processo todo sem permanecer me preocupando em me autoavaliar foi muito bom. Foram 20 semanas de dieta e treino em que eu fiquei muito tranquilo. A resposta do meu físico a essa tranquilidade também foi muito boa”, relata Fantini em entrevista exclusiva. “A gente fica se perguntando: ‘será que vai dar tempo?’ E dessa vez não aconteceu isso, eu só precisei incumbir no meu treinador”, conclui o militar reformado.

Fantini treina na DarkHouse, uma vez que é publicado o Núcleo de Treinamento (CT) talhado aos atletas da Integralmedica e da Darkness. Sem a disponibilidade do sítio, não haveria uma vez que ele manter a preparação, segundo o próprio fisiculturista: “sem a estrutura do CT, seria impossível”.

“Eu vou treinar sozinho, e por questões de segurança, evito usar pesos livres, por exemplo. Lá, há uma grande estrutura de máquinas”, ressalta o capitão do Tropa Brasílio.

Se a ateneu já pode se tornar um sítio perigoso em circunstâncias habituais, essa situação pode se exacerbar quando o praticante de musculação tem exclusivamente cinco graus de visão. “Quantas vezes eu não achei que tinha quebrado o dedo depois de escadeirar em alguma coisa (…) teve uma vez que eu fiquei meses sem treinar perna porque bati o joelho num anilheiro”, lembra Fantini.

O desportista também relata a prestígio da organização: “Para mim, é muito difícil quando as pessoas tiram as coisas do lugar. Teve dias em que eu mudei meu treino porque não conseguia encontrar um banco, uma corda, etc.”

Outro paisagem da ateneu com o qual o fisiculturista precisa mourejar é a iluminação, uma vez que ambas as doenças que ele porta geram sensibilidade à luz: “chegou um determinado momento da preparação em que eu não conseguia mais treinar por conta da dor que eu sentia nos olhos (…) às vezes, o revérbero de uma luz já me arrebentava, a ponto de ter que voltar para morada e permanecer no escuro”.

Antes de entrar para o esporte, Fantini nunca havia sonhado com os palcos. Entretanto, ele acredita que o fisiculturismo é escoltado por diversas qualidades que ele apresenta. “Eu não me acho muito bom em zero, mas eu sou mediano em muitas coisas. Ou seja, eu sou uniforme. Sempre fui muito disciplinado, muito focado. Quando coloco alguma coisa na cabeça, vou até o final. Sempre foi assim. Eu até brinco e falo que não sou desse jeito porque passei pelo Tropa, mas fui para o Tropa porque eu sou assim”, destaca. “Busco admitir a situação e fazer o meu melhor dentro dessas circunstâncias”, conclui.


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